Os contratos futuros do café arábica negociados na Bolsa de Nova York (ICE) perderam tração nas últimas sessões, operando na faixa de 270 a 280 centavos de dólar por libra-peso (c/lb). Conforme análise divulgada pela Hedgepoint Global Markets, embora os estoques certificados globais permaneçam nos patamares mais baixos em décadas — fornecendo sustentação residual aos preços —, o avanço volumoso dos embarques brasileiros e as chuvas favoráveis sobre os cinturões cafeeiros intensificam a pressão baixista no curto prazo, podendo manter o contrato de dezembro próximo a 270 c/lb.
Em agosto, as exportações totais de café do Brasil atingiram a marca recorde de 4,16 milhões de sacas, alta de 31% frente a agosto de 2025, de acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Os embarques exclusivos de café verde somaram 3,8 milhões de sacas (avanço anual de 31,1% e mensal de 42,7%). Desse montante, o arábica verde respondeu por 2,8 milhões de sacas (alta de 25,7%), enquanto o conilon cravou recorde histórico de 953,5 mil sacas exportadas em um único mês, disparando 53,6% em relação ao ano anterior.
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A analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, Laleska Moda, destaca a recomposição do fluxo internacional: "Os estoques certificados seguem nos níveis mais baixos em décadas e dão algum suporte aos preços. Ainda assim, o aumento dos estoques pendentes para classificação, o clima no Brasil e o avanço das exportações podem ampliar a pressão baixista, com o contrato de dezembro potencialmente mais perto dos 270 c/lb. A aceleração dos embarques reduz os temores em relação à disponibilidade imediata, sinalizando que o produto brasileiro finalmente chega com força aos mercados consumidores."
Os Estados Unidos e a Bélgica lideraram as importações em agosto, ambos superando meio milhão de sacas. O movimento ganha tração com o envio projetado de cerca de 300 mil sacas de arábica para os estoques da ICE, com 31,16 mil sacas brasileiras já aguardando classificação no armazém de Antuérpia. No acumulado das exportações de café verde, o arábica subiu de 6,1 milhões para 6,7 milhões de sacas (+10%), enquanto o conilon saltou de 1,5 milhão para 2,4 milhões de sacas (+56,9%).
Clima no Brasil e riscos climáticos sobre o robusta asiático
Com a colheita do ciclo 2026/27 praticamente finalizada, as atenções do mercado voltaram-se integralmente para o desenvolvimento da safra brasileira 2027/28. Os acumulados de chuva em setembro ficaram acima da média histórica de dez anos na quase totalidade das regiões produtoras, à exceção da Chapada da Bahia e da faixa Atlântico/Sul, sob influência provável do fenômeno El Niño. As precipitações anteciparam as primeiras floradas de arábica e conilon, com previsão de continuidade da umidade em outubro, o que pode compensar parcialmente o ano de bienalidade baixa do arábica diante da expansão recente de área plantada.
No mercado de robusta, o Vietnã exportou 2,1 milhões de sacas em agosto, o melhor resultado para o mês em sete anos, totalizando 27,7 milhões de sacas no acumulado da safra 2025/26 (avanço anual de 19,6%). Contudo, os estoques vietnamitas encontram-se extremamente exauridos.
A consultoria projeta a safra 2026/27 do Vietnã em 30,5 milhões de sacas, com colheita iniciando em outubro mas com entrada relevante de volumes apenas a partir de novembro. O prolongamento da estação seca provocado pelo El Niño no Sudeste Asiático ameaça o potencial hídrico para irrigação tanto nas lavouras do Vietnã quanto na safra da Indonésia, operando como o principal fator de sustentação para os preços globais do robusta nos próximos meses.
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