Nota Técnica da Farsul avalia acordo entre Mercosul e União Europeia
Documento da Farsul aponta avanços comerciais, mas alerta para salvaguardas, barreiras ambientais e riscos ao produtor do Mercosul
Por: Redação RuralNews
Salvaguardas e barreiras ao comércio
De acordo com a entidade, a Comissão Europeia estruturou salvaguardas em duas frentes principais. A primeira envolve a fixação de tetos para a entrada de produtos como carne bovina, aves, arroz, mel, ovos e etanol, permitindo intervenções sempre que houver risco de desequilíbrio no mercado europeu.
Nota Técnica da Farsul analisa impactos do acordo Mercosul–União Europeia e aponta desafios para o agronegócio brasileiro. Foto:
Além disso, novas regras autorizam investigações caso os preços dos produtos do Mercosul fiquem 8% abaixo dos praticados na União Europeia, desde que haja aumento repentino das importações. Para a Farsul, esse modelo amplia a insegurança para exportadores sul-americanos.
A Federação também chama atenção para restrições ambientais e sanitárias. A proibição de substâncias como o tiofanato-metilo afeta exportações de citros, mangas e papaias. Já a Lei Antidesmatamento da UE preocupa por desconsiderar a rigidez do Código Florestal brasileiro, com possíveis impactos sobre cadeias como carne bovina, soja, café e couro.
Benefícios previstos e entraves políticos
Apesar das críticas, a Nota Técnica reconhece benefícios previstos no acordo. Entre eles, está a liberação gradual que permitirá que cerca de 93% das linhas tarifárias da União Europeia fiquem isentas de tarifas em até dez anos.
Para a carne bovina, está prevista uma cota de 99 mil toneladas, com tarifa de 7,5%, além da eliminação imediata da tarifa da Cota Hilton. As aves contarão com volume de 180 mil toneladas com tarifa zero. Já produtos como abacate, limão, melão e maçã terão eliminação total de tarifas. Arroz e mel também serão beneficiados, com cotas de 60 mil e 45 mil toneladas, respectivamente.
A Farsul ressalta, porém, que o acordo ainda não produz efeitos jurídicos imediatos. O texto precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu, onde enfrenta resistência significativa, além de passar pelos parlamentos nacionais dos países do Mercosul. Até lá, a entidade afirma que seguirá monitorando um cenário considerado de baixa previsibilidade para o produtor rural.
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Texto publicado originalmente em Destaques
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