Paraná avança na valorização da erva-mate com nova etapa de rastreabilidade e marca própria
Nova fase do programa da Invest Paraná com a UEL foca em rastreabilidade, integração da cadeia e criação de selo para valorizar a erva-mate paranaense
Evento em União da Vitória marcou início da Meta 3, que amplia ações para fortalecer a erva-mate do Paraná. Foto: Canva
O Paraná iniciou uma nova fase do trabalho voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva da erva-mate. A terceira etapa do programa Vocações Regionais Sustentáveis (VRS), chamada de Meta 3, foi lançada pela Invest Paraná em parceria com o Núcleo Interdisciplinar de Gestão Pública da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O lançamento ocorreu durante o evento “Mercados para a Erva-Mate: Promoção, Mercados Públicos e Exportação”, realizado em União da Vitória, e reuniu empresários do setor e representantes municipais ligados às compras públicas.
A iniciativa dá continuidade a um projeto que conecta pesquisa científica, políticas públicas e mercado. As etapas anteriores mapearam desafios e estruturaram ferramentas como identidade territorial e mecanismos iniciais de rastreabilidade. Agora, o foco está na aplicação prática dessas estratégias.
O projeto conta com apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) e recursos do Fundo Paraná.
Três frentes de atuação
A Meta 3 concentra as ações em três eixos principais: implantação da rastreabilidade; integração entre produtores, indústrias e demais elos da cadeia; e estratégias de marketing e valorização do produto.
Segundo a Invest Paraná, as prioridades foram definidas a partir das demandas apresentadas pelo próprio setor produtivo. A meta é ampliar renda, elevar o padrão de qualidade e fortalecer o reconhecimento da erva-mate paranaense no mercado nacional.
A proposta inclui dobrar o valor agregado da erva-mate de qualidade produzida sob sombreamento, tradicional no Estado, que muitas vezes abastece indústrias de outras regiões sem o devido reconhecimento de origem.
Pesquisadores envolvidos no projeto afirmam que os diagnósticos já realizados permitem avançar na criação de um modelo de identificação do mate paranaense. A rastreabilidade deverá indicar quais informações acompanharão o produto e se esse diferencial atenderá a uma exigência de mercado ou a uma estratégia de posicionamento.
Além disso, o grupo trabalha na definição de boas práticas de manejo e padronização, com foco no controle de qualidade da folha.
Selo de autenticidade
Uma das propostas é desenvolver um selo de identificação do mate do Paraná. A ideia não é criar uma marca coletiva, mas estruturar um instrumento que destaque a origem e os atributos do produto. O projeto avaliará o potencial de segmentação, os diferenciais competitivos e os desafios de comunicação no mercado interno e externo.
Mercado institucional e capacitação
O encontro também abriu espaço para orientar produtores e cooperativas sobre o acesso às compras públicas. A inclusão da erva-mate na alimentação escolar do Estado já começou a avançar, ainda que de forma gradual.
O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) informou que investiu cerca de R$ 190 milhões em 2025 na aquisição de alimentos da agricultura familiar para a merenda escolar. A erva-mate passou a integrar o grupo de produtos comprados recentemente, e a expectativa é ampliar a oferta nos próximos anos.
Especialistas destacaram que as compras institucionais podem impulsionar o desenvolvimento regional ao estimular a produção local, gerar renda e fortalecer a agricultura familiar.
A partir desta nova etapa, produtores e empresários passam a integrar grupos de trabalho ligados aos três eixos do projeto. Eles participarão de capacitações sobre padronização, adequação de marca e exigências de mercado, além de contribuir para a construção do sistema de rastreabilidade e do selo que pretende consolidar a identidade da erva-mate paranaense.
