Estudo estima 1,6 mil mortes de animais por ano em rodovia de Curitiba
Pesquisa da Universidade Federal do Paraná identificou pontos críticos de atropelamento no entorno do Parque Tingui e aponta anfíbios como as principais vítimas
Anfíbios, como o sapo cururu, estão entre os mais vulneráveis a acidentes em estradas. Foto: Vinícius Souza
O crescimento das rodovias no Brasil impulsionou o transporte, mas também aumentou os impactos ambientais. Segundo estudo publicado em 2022 na revista científica Diversity, cerca de 1,3 milhão de animais morrem todos os anos em colisões nas estradas brasileiras.
Em Curitiba, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) analisaram um trecho de 5,1 quilômetros no entorno do Parque Tingui. A equipe estima que mais de 1,6 mil animais morrem por atropelamento nesse local a cada ano.
O levantamento integra o projeto de extensão Olha o Bicho, ligado ao Laboratório de Biodiversidade, Conservação e Ecologia de Animais Silvestres. Entre março de 2023 e fevereiro de 2025, os pesquisadores realizaram 44 expedições de campo. Ao todo, registraram 235 carcaças.
Durante cada saída, observadores percorreram os dois lados da via. Eles anotaram data, horário, localização e grupo taxonômico dos animais. Além disso, fotografaram os exemplares e o entorno. Posteriormente, especialistas confirmaram espécies quando houve dúvida.
Com esses dados, a equipe identificou padrões espaciais usando o software Siriema. Assim, constatou que os atropelamentos não ocorrem de forma aleatória. Pelo contrário, concentram-se em áreas próximas a corpos d’água, trechos com maior fluxo de veículos e segmentos com inclinação acentuada.
Além disso, o estudo mostrou que as carcaças permanecem, em média, 9,05 dias na pista. Esse dado ajuda a estimar com mais precisão a taxa real de mortalidade.
Anfíbios lideram registros
Os anfíbios representaram 38% das ocorrências. Em seguida, apareceram mamíferos (29%), aves (22%) e répteis (11%). Sapos do gênero Rhinella, conhecidos como sapos-cururu, foram os mais atingidos. Como são pequenos e realizam deslocamentos sazonais para reprodução, tornam-se mais vulneráveis.
Entre as espécies registradas também estão gambá-de-orelha-preta, tatu-galinha, coruja-buraqueira, teiú e jararaca.
Diante desse cenário, os pesquisadores defendem medidas práticas. Entre elas estão passagens aéreas e subterrâneas para fauna, cercamentos direcionadores, redutores de velocidade e sinalização específica.
Atualmente, o projeto também monitora outro trecho de 5,9 quilômetros na estrada de acesso ao Zoológico Municipal de Curitiba. Além do trabalho em campo, a equipe incentiva a população a informar ocorrências por redes sociais e WhatsApp.
Segundo os coordenadores, a combinação entre ciência e participação comunitária pode reduzir os impactos sobre a fauna urbana.
