Soja abre semana estável em Chicago, mas mercado segue pressionado
Relatório da Granoeste aponta estabilidade na CBOT nesta segunda-feira, com pressão do petróleo, oferta abundante, incertezas logísticas e avanço da colheita no Brasil
O mercado da soja começou a semana com estabilidade na Bolsa de Chicago (CBOT), mas ainda cercado por fatores que mantêm o ambiente de cautela entre produtores e agentes do setor. Na manhã desta segunda-feira, o contrato de maio era cotado a US$ 11,61 por bushel, em um cenário influenciado pela forte queda do petróleo, pela oferta abundante no mercado global e pelas incertezas envolvendo logística e comércio internacional.
De acordo com análise divulgada pela Granoeste, a sinalização do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma possível trégua de cinco dias nos combates contra o Irã derrubou os preços do petróleo em cerca de 8%, movimento que acabou atingindo também outros mercados ligados à energia, como os biocombustíveis. Esse recuo enfraquece parte da sustentação observada em commodities relacionadas, incluindo a soja, principalmente pela ligação com o óleo vegetal e o setor energético.
Na semana passada, a CBOT acumulou queda de 5,3%, refletindo justamente a combinação entre tensões geopolíticas, oscilações no petróleo e a expectativa do mercado por uma retomada mais clara das negociações entre China e Estados Unidos. O setor segue acompanhando a possibilidade de algum acordo entre os dois países que favoreça a volta das compras de soja norte-americana pelos chineses, mas os avanços seguem lentos. O conflito no Oriente Médio, inclusive, provocou sucessivos adiamentos em encontros esperados pelo mercado.
Além disso, a oferta global de soja continua elevada, o que limita movimentos de recuperação mais consistentes nas cotações. Com disponibilidade abundante e ritmo de negócios ainda aquém do esperado, o mercado segue sem força para sustentar altas mais expressivas.
Outro ponto monitorado envolve rumores de que a China estaria flexibilizando as regras para a presença de grãos de ervas daninhas na soja importada. Ainda assim, o mercado avalia que padrões sanitários mais definidos ainda precisarão ser negociados entre chineses e norte-americanos. A política de tolerância zero, adotada desde o fim de fevereiro, trouxe dificuldades importantes para o fluxo comercial, com relatos de tradings suspendendo embarques em portos diante das exigências sanitárias.
Brasil avança na colheita e amplia embarques
No mercado brasileiro, a colheita da soja segue avançando, embora ainda em ritmo inferior ao registrado no ano passado e também abaixo da média histórica. Segundo levantamento do grupo Safras, os trabalhos alcançavam 63,8% da área, contra 76,6% no mesmo período de 2025 e 71,3% na média histórica.
Em contrapartida, em Mato Grosso, principal estado produtor do país, o IMEA informa que a colheita está praticamente encerrada, com 99% da área já colhida. O dado mostra que, embora o avanço nacional ainda esteja mais lento, algumas regiões já operam em estágio bastante adiantado.
No comércio exterior, o Brasil apresentou números mais fortes em fevereiro. Dados da Secex mostram que o país embarcou 7,11 milhões de toneladas de soja no mês, acima das 6,43 milhões de toneladas registradas em fevereiro de 2025. No acumulado do primeiro bimestre, os embarques somaram 9,0 milhões de toneladas, superando as 7,5 milhões de toneladas exportadas no mesmo intervalo do ano passado.
Esse desempenho reforça a competitividade brasileira no mercado internacional, mesmo em um ambiente global ainda marcado por incertezas comerciais e geopolíticas. Ainda assim, o aumento dos embarques não elimina os desafios internos, especialmente no que diz respeito aos custos logísticos.
Frete preocupa e pode reduzir preço ao produtor
Um dos principais pontos de atenção no mercado doméstico segue sendo o frete rodoviário. O setor continua operando em um ambiente de incerteza, com expectativa de aumento nos custos, especialmente se houver maior exigência no cumprimento da tabela de frete.
Na prática, qualquer elevação nos custos logísticos tende a pesar diretamente sobre o valor recebido pelo produtor. Isso acontece porque os custos internos têm pouca capacidade de elevar os preços internacionais da soja, fazendo com que aumentos no transporte acabem sendo absorvidos ao longo da cadeia, pressionando a remuneração no campo.
Esse fator é especialmente relevante em um momento de colheita e maior necessidade de escoamento da produção, quando a logística ganha ainda mais importância para a formação dos preços nas diferentes regiões produtoras.
Prêmios e preços no Paraná seguem no radar
No mercado físico, os prêmios de exportação no disponível (spot) eram indicados na faixa entre -10 e 0 centavos de dólar por bushel. Para maio, as indicações ficavam entre 5 e 15, enquanto para junho variavam de 5 a 20.
No oeste do Paraná, as indicações de compra para a soja giravam entre R$ 120,00 e R$ 122,00 por saca. Já em Paranaguá, os valores eram apontados na faixa de R$ 130,00 a R$ 133,00 por saca, variando conforme o prazo de pagamento, o local e também o período de embarque.
Esse cenário mostra que, apesar do bom ritmo das exportações e da movimentação nos portos, o mercado interno ainda segue bastante dependente de fatores externos, da logística e do comportamento dos prêmios para definir o rumo das cotações no curto prazo.
Mercado segue cauteloso no curto prazo
Com a CBOT estável nesta segunda-feira, mas ainda sob influência da queda do petróleo, da oferta global elevada e das incertezas em torno das relações entre China e Estados Unidos, o mercado da soja inicia a semana em compasso de espera.
No Brasil, o avanço da colheita e o aumento dos embarques ajudam a dar liquidez ao setor, mas o peso do frete e a limitação para repasses mais fortes nos preços internacionais continuam restringindo uma valorização mais consistente ao produtor.
Para o mercado paranaense, o foco permanece na evolução dos embarques, no comportamento dos prêmios e, principalmente, nos custos logísticos, que seguem como peça-chave para a formação de preços nas próximas semanas.