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Especialistas orientam produtores de leite a reduzir perdas na fazenda

Foto do autor Francieli Galo
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Especialistas orientam produtores de leite a reduzir perdas na fazenda
Com preços pressionados, produtores de leite buscam reduzir perdas dentro da fazenda com manejo mais eficiente, controle de custos e foco na produtividade.

Com queda no valor pago ao produtor, especialistas defendem ajuste no rebanho, manejo nutricional eficiente e compras estratégicas para preservar a rentabilidade da atividade leiteira

Enquanto políticos e entidades representativas discutem alternativas para valorizar o leite comercializado em Minas Gerais, muitos produtores têm voltado a atenção para dentro da propriedade, em busca de medidas práticas para reduzir perdas e preservar a rentabilidade da atividade. Em um cenário de forte pressão sobre os preços pagos ao produtor, especialistas ligados à assistência técnica apontam que o controle de custos, o equilíbrio do rebanho e o manejo nutricional adequado são decisivos para atravessar o momento com menos prejuízos.

Supervisores do ATeG de pecuária da regional de Juiz de Fora destacam que, em períodos de mercado fragilizado, a eficiência da produção passa a ser ainda mais importante. Com margens mais apertadas, cada decisão dentro da fazenda pode influenciar diretamente o resultado final da atividade.

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Preço, custo e escala definem o resultado da atividade

Segundo Leonardo Cotta, três fatores determinam o ganho do produtor de leite: preço de venda, custo de produção e escala.

A combinação desses elementos ficou ainda mais sensível em 2025. De acordo com dados do Centro de Inteligência do Leite (Cileite), da Embrapa, o Brasil produziu 38,3 bilhões de litros de leite, volume 7,2% maior do que no ano anterior e considerado um patamar histórico.

No entanto, o aumento da oferta veio acompanhado de uma demanda que não cresceu no mesmo ritmo. Além disso, a ampliação das importações também pesou sobre o mercado. Como resultado, os preços pagos ao produtor registraram uma forte queda de 22,6%, pressionando a renda nas propriedades e exigindo maior atenção à gestão interna da atividade.

Nesse contexto, especialistas reforçam que, quando o produtor não consegue influenciar diretamente o preço de venda, o foco precisa se concentrar nos custos e na eficiência produtiva.

Equilíbrio do rebanho pode aliviar os custos

Uma das principais orientações para reduzir perdas é manter o equilíbrio do rebanho. De acordo com Silvio Braga, animais que não apresentam aptidão leiteira ou que não estão produzindo no momento podem se tornar um peso desnecessário dentro da propriedade, especialmente em um momento de custos elevados com alimentação.

A recomendação é que esses animais sejam descartados de forma estratégica, permitindo ao produtor direcionar melhor os recursos para as vacas com maior potencial produtivo. Com isso, é possível investir em uma nutrição mais eficiente para os animais que realmente entregam retorno e, ao mesmo tempo, utilizar os recursos da venda dos excedentes para reforçar o fluxo de caixa da fazenda.

Essa reorganização ajuda a reduzir desperdícios e melhora o aproveitamento dos insumos, o que pode fazer diferença importante em um período de preços pressionados.

Cortar ração de vacas produtivas pode ampliar prejuízos

Outro alerta importante feito pelos técnicos é sobre erros comuns em momentos de aperto financeiro. Segundo Marcelo Carvalho, uma decisão que pode gerar prejuízo ainda maior é reduzir o fornecimento de grãos e de ração concentrada para vacas altamente produtivas, apenas porque esses insumos têm custo mais elevado.

A lógica pode parecer imediata no curto prazo, mas tende a comprometer a produção e a receita da atividade. Quando o produtor reduz a alimentação de animais que têm alto desempenho, a produção de leite cai e, consequentemente, a receita também diminui. Em muitos casos, essa perda de produtividade acaba sendo maior do que a economia obtida com o corte do insumo.

Por isso, a recomendação é que ajustes sejam feitos com critério técnico, evitando decisões que comprometam justamente os animais mais rentáveis do rebanho.

Substituições de insumos podem ajudar sem perder qualidade nutricional

Embora o cuidado com a nutrição das vacas produtivas seja essencial, isso não significa que o produtor não possa buscar alternativas para reduzir custos.

De acordo com Fábio Moreira, existem substituições ao milho e à soja que podem ser feitas sem prejuízo nutricional, desde que haja orientação técnica adequada. Entre os exemplos citados estão a casquinha de soja, o farelo de sorgo e a ureia, que podem compor a dieta dos animais de forma mais econômica em determinadas situações.

Essas alternativas podem ajudar a aliviar o peso dos insumos mais caros no custo de produção, desde que utilizadas de forma planejada e ajustadas à realidade de cada propriedade.

O ponto central, segundo os especialistas, é que a redução de custos não deve ser feita de maneira indiscriminada, mas sim com foco em eficiência e manutenção do desempenho do rebanho.

União entre produtores e compras estratégicas ganham importância

Além das mudanças dentro da propriedade, os especialistas também destacam a importância da organização coletiva em momentos desafiadores para a cadeia leiteira.

A união entre produtores pode abrir espaço para negociações melhores na compra de insumos e serviços, reduzindo custos e aumentando o poder de barganha. Nesse sentido, iniciativas como o projeto de Compras Estratégicas, oferecido pelo Senar, são apontadas como ferramentas relevantes para ajudar na aquisição de insumos a preços mais competitivos.

Essa estratégia pode impactar diretamente os custos da atividade, principalmente em um cenário em que alimentação e manejo seguem entre os principais itens de peso no orçamento da produção leiteira.

Eficiência dentro da porteira vira prioridade

Com preços em queda, oferta elevada e mercado mais pressionado, a atividade leiteira exige cada vez mais atenção à gestão dentro da porteira.

O cenário mostra que, diante de um ambiente em que o produtor tem pouca influência sobre o preço de venda, a melhor resposta está no controle da operação: ajustar o tamanho do rebanho, priorizar os animais mais produtivos, evitar cortes equivocados na nutrição e buscar alternativas mais eficientes para reduzir custos.

Mais do que simplesmente cortar despesas, a orientação dos especialistas é produzir com estratégia, protegendo a produtividade e preservando a rentabilidade da atividade mesmo em um momento de maior pressão sobre o setor leiteiro.

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