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Mercado do milho inicia semana com atenção ao clima e à safrinha

Foto do autor Camilo Motter
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Mercado do milho inicia semana com atenção ao clima e à safrinha
Milho começa a semana com estabilidade em Chicago, demanda firme no mercado interno, avanço da safrinha e atenção ao clima nas lavouras brasileiras.

Análise da Granoeste indica estabilidade na CBOT nesta segunda-feira, enquanto o mercado interno brasileiro segue mais sustentado, com demanda ativa, safrinha avançando e clima irregular no Paraná

O mercado do milho iniciou a semana em compasso de espera no cenário internacional, com a Bolsa de Chicago (CBOT) operando praticamente no zero a zero na manhã desta segunda-feira. Apesar da estabilidade no início do dia, o mercado segue atento aos desdobramentos do petróleo, à força da demanda internacional e ao avanço da segunda safra no Brasil, fatores que continuam influenciando a formação dos preços.

Na semana passada, depois de um primeiro pregão marcado por forte pressão, os preços do cereal em Chicago foram se recuperando ao longo dos dias e encerraram o período praticamente estáveis. O comportamento mostra um mercado ainda cauteloso, mas com capacidade de reação diante da demanda global aquecida.

Na B3 (BMF), os contratos também operavam com leve ajuste. A posição maio trabalhava em R$ 71,80 por saca, abaixo do fechamento anterior de R$ 71,99, enquanto o contrato junho era negociado a R$ 70,75, frente aos R$ 70,94 da sessão anterior.

Segundo análise da Granoeste, a forte queda do petróleo exerce certa pressão sobre os preços do milho, especialmente por conta da ligação do cereal com o mercado de energia e os biocombustíveis. Por outro lado, a demanda segue firme, principalmente nos Estados Unidos, que continuam exportando volumes recordes e superando o ritmo observado em anos anteriores.

Esse equilíbrio entre pressão externa e força da demanda ajuda a explicar a estabilidade observada em Chicago neste início de semana, mesmo em um ambiente ainda marcado por volatilidade nos mercados globais.

Brasil avança com a safrinha e amplia exportações

No mercado brasileiro, os fundamentos seguem mais positivos, especialmente por conta do avanço da segunda safra e do bom ritmo das exportações.

Dados da Secex mostram que o Brasil exportou 1,55 milhão de toneladas de milho em fevereiro, acima das 1,42 milhão de toneladas registradas no mesmo mês de 2025. O número reforça a presença do cereal brasileiro no mercado internacional, mesmo em um período que ainda não representa o pico de embarques da safra.

No campo, o plantio da safrinha alcançou 91,3% da área no Centro-Sul do Brasil, de acordo com levantamento do grupo Safras. O percentual está próximo da média histórica de 91,6%, embora ainda abaixo dos 95% observados no mesmo período do ano passado.

Entre os principais estados produtores, o plantio já foi finalizado em 100% da área em Mato Grosso, principal produtor nacional. Em Mato Grosso do Sul, os trabalhos atingem 96,8%. No Paraná, o índice está em 90,4%, enquanto em Goiás chega a 78,6% e, em Minas Gerais, a 40,7%.

O avanço da semeadura mostra que a segunda safra segue dentro de uma janela considerada importante para o desenvolvimento das lavouras, mas o mercado continua atento ao comportamento do clima nas próximas semanas, especialmente em regiões mais sensíveis.

Mercado interno ganha firmeza com compradores mais ativos

No mercado doméstico, o milho apresenta um comportamento mais firme, com maior interesse de compradores na busca por lotes. Esse movimento tem ajudado a sustentar as cotações, mesmo diante de um cenário externo ainda sem força para puxar altas mais expressivas. A presença mais ativa da demanda no mercado físico brasileiro reforça a percepção de que o cereal encontra suporte interno, sobretudo em um momento em que o andamento da safrinha e as condições climáticas seguem no radar.

Além disso, o clima continua sendo um fator decisivo para o mercado. A irregularidade das condições meteorológicas em alguns estados mantém o setor em alerta, especialmente no Paraná, onde a evolução das lavouras da safrinha é acompanhada com atenção por produtores e compradores.

Essa preocupação climática ajuda a dar sustentação adicional aos preços, já que qualquer risco ao potencial produtivo tende a influenciar a precificação do cereal no mercado interno.

Paraná segue no foco do mercado

No oeste do Paraná, as indicações de compra para o milho giravam entre R$ 62,00 e R$ 64,00 por saca. Já em Paranaguá, para o milho da safrinha, os valores eram indicados na faixa de R$ 68,00 a R$ 70,00 por saca, dependendo do prazo de pagamento, da localização do lote e também das condições de negociação no interior.

Para o mercado paranaense, esse cenário reforça uma combinação importante: de um lado, a demanda mais ativa ajuda a sustentar os preços; de outro, a irregularidade climática segue como fator de atenção para a formação das cotações nas próximas semanas.

Câmbio também entra na conta do mercado

Outro ponto que influencia a comercialização é o câmbio. Na manhã desta segunda-feira, o dólar operava em queda, cotado a R$ 5,28, abaixo do fechamento anterior, de R$ 5,311. A movimentação cambial pode ter impacto direto sobre a competitividade do milho brasileiro no mercado externo e também sobre a formação dos preços internos, especialmente em regiões com maior ligação com exportação.

Com o dólar mais fraco, parte da sustentação vinda das exportações pode perder força, embora o mercado físico doméstico ainda encontre apoio em fatores internos, como a demanda e as preocupações climáticas.

Mercado inicia a semana atento ao clima e à demanda

Com a CBOT estável, a B3 levemente ajustada, demanda internacional aquecida e o avanço da safrinha no Brasil, o mercado do milho começa a semana em um cenário de equilíbrio entre pressão externa e sustentação doméstica.

A queda do petróleo limita parte da reação dos preços no mercado internacional, mas o bom desempenho das exportações dos Estados Unidos e do Brasil, somado ao maior interesse comprador no mercado interno, ajuda a manter o cereal mais firme no país.

No Brasil, e especialmente no Paraná, o foco do mercado segue voltado para o desenvolvimento da safrinha e para o comportamento do clima, que deve continuar sendo um dos principais fatores para a direção dos preços no curto prazo.