Exportação de soja: Mapa encontra irregularidades em carga no Porto de Paranaguá
Produto apresentava divergências entre a composição real e as informações da documentação; carga de cerca de 42 toneladas segue sob investigação.
Fiscalização identifica indícios de fraude em carga de 42 toneladas de soja no Porto de Paranaguá; produto destinado à exportação segue sob investigação.
Uma carga de aproximadamente 42 toneladas de soja destinada à exportação apresentou indícios de fraude durante fiscalização no Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná. A irregularidade foi identificada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) após alerta da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), no dia 24 de fevereiro.
A inspeção foi realizada no Pátio de Triagem do porto, etapa em que técnicos verificam se o produto atende aos padrões oficiais de identidade e qualidade exigidos para exportação. Durante a análise, os fiscais constataram divergências entre a carga transportada e as informações declaradas na documentação fiscal, o que levantou suspeitas sobre possível adulteração do produto.
Segundo o Mapa, a auditoria realizada na classificação da soja reforçou os indícios de irregularidade, ao apontar composição diferente da declarada no embarque.
Fiscalização nas exportações -O controle sobre cargas destinadas ao mercado externo é considerado estratégico para o setor. De acordo com o chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR), Fernando Augusto Mendes, o Brasil precisa manter padrões rigorosos de fiscalização, especialmente por ocupar posição de destaque no comércio global de soja.
A verificação da qualidade e da classificação de produtos vegetais segue regras estabelecidas pela Lei nº 9.972/2000, que institui o Sistema Brasileiro de Classificação de Produtos Vegetais, além de normas técnicas que definem padrões específicos para cada produto.
Três etapas de controle no Paraná -No Paraná, o processo de fiscalização das cargas vegetais destinadas à exportação ocorre em três etapas principais.
A primeira acontece na origem, em 64 unidades registradas no estado que armazenam e exportam soja para mercados como a China. Nessas estruturas são avaliados critérios de classificação, identidade e qualidade do produto.
A segunda etapa ocorre na chegada ao Porto de Paranaguá, com inspeções realizadas no Pátio de Triagem e nos terminais portuários em parceria com a Appa e órgãos estaduais. Somente em 2025, mais de 507 mil veículos foram vistoriados nesse processo.
A fase final acontece no momento do carregamento dos navios, quando equipes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) realizam a conferência final da carga e emitem o certificado fitossanitário exigido para exportação.
Investigação em andamento -O caso identificado em Paranaguá segue em apuração. O Mapa analisa possíveis irregularidades administrativas e operacionais, enquanto eventuais aspectos criminais estão sendo investigados pela Polícia Federal.
A carga apreendida deverá ser destinada à destruição, com acompanhamento do ministério. A destinação final ainda está em definição, mas a previsão é que o produto seja encaminhado para aterro sanitário.
Segundo o superintendente federal de Agricultura no Paraná, Almir Gnoatto, a fiscalização é fundamental para garantir a credibilidade do setor. “A atuação do Mapa assegura que os produtos vegetais exportados atendam aos padrões oficiais de qualidade, protegendo produtores, compradores e a imagem do agronegócio brasileiro”, afirmou.