Produtores do Oeste do Paraná têm até 24 de março para vacinar rebanhos contra a raiva
Medida da Adapar exige imunização de herbívoros a partir de três meses de idade e ocorre após aumento de focos da doença no Estado
Bovinos em área de pastagem no Paraná; manejo sanitário é essencial para a saúde do rebanho
Os produtores rurais de 30 municípios do Oeste do Paraná têm até 24 de março para vacinar herbívoros domésticos contra a raiva, conforme determinação da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). A obrigatoriedade foi estabelecida pela Portaria 368/2025, publicada em setembro do ano passado, que concedeu prazo de seis meses para a regularização da imunização nos rebanhos.
Devem ser vacinados animais a partir de três meses de idade, incluindo bovinos, búfalos, equinos, asininos, muares, ovinos e caprinos. Nos casos em que o animal recebe a vacina pela primeira vez, é necessário aplicar uma dose de reforço entre 21 e 30 dias, com revacinação anual a partir de então.
A medida foi adotada diante do histórico recente de registros da doença no Estado e da presença de áreas consideradas sensíveis à circulação do vírus, especialmente na região próxima ao Parque Nacional do Iguaçu. Além disso, autoridades sanitárias também consideraram a ocorrência de casos suspeitos que exigiram tratamento preventivo em pessoas após contato com animais possivelmente infectados.
Municípios incluídos na obrigatoriedade -A exigência vale para os municípios de Boa Vista da Aparecida, Braganey, Campo Bonito, Capanema, Capitão Leônidas Marques, Cascavel, Catanduvas, Céu Azul, Diamante D’Oeste, Foz do Iguaçu, Guaraniaçu, Ibema, Itaipulândia, Lindoeste, Matelândia, Medianeira, Missal, Planalto, Pérola D’Oeste, Quedas do Iguaçu, Ramilândia, Realeza, Rio Bonito do Iguaçu, Santa Lúcia, Santa Tereza do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Vera Cruz do Oeste.
Embora a obrigatoriedade esteja restrita a essas cidades, a vacinação preventiva é recomendada para todo o território paranaense, especialmente em propriedades com histórico de ataque de morcegos hematófagos.
Situação da doença no Paraná -Dados do Departamento de Saúde Animal da Adapar indicam que foram registrados 230 casos positivos de raiva em animais de produção em 2025, distribuídos em 197 focos no Estado. No meio rural, a transmissão ocorre principalmente por meio do morcego hematófago (Desmodus rotundus), que se alimenta de sangue e pode infectar herbívoros.
A doença é considerada uma das zoonoses mais graves, com alta taxa de letalidade tanto para animais quanto para humanos quando não há tratamento preventivo após a exposição.
Prevenção e controle -Além da vacinação dos rebanhos, o sistema de defesa sanitária mantém ações permanentes de monitoramento e controle da doença. Entre as atividades estão o cadastro e acompanhamento de abrigos de morcegos hematófagos, investigação de casos suspeitos e coleta de material para diagnóstico.
A orientação aos produtores também inclui identificar sinais clínicos nos animais e comunicar rapidamente às autoridades sanitárias qualquer suspeita da doença.
Vacinação é a principal proteção -A imunização preventiva continua sendo a principal forma de proteção do rebanho. A vacina tem baixo custo e pode ser aplicada pelo próprio produtor, seguindo as recomendações técnicas.
Isso porque, uma vez que o animal apresente sinais clínicos da raiva, não há tratamento eficaz, o que torna a prevenção essencial para evitar perdas no rebanho e riscos sanitários.