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América Latina ganha força nas exportações de tilápia

Foto do autor Jair Reinaldo
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América Latina ganha força nas exportações de tilápia
Brasil mira América Latina para ampliar exportações de tilápia, reduzir dependência dos EUA e ganhar competitividade no mercado internacional.

Com forte dependência dos Estados Unidos, piscicultura brasileira vê em México, Colômbia e Peru uma rota estratégica para crescer nas exportações e reduzir riscos comerciais

A América Latina passou a ocupar posição estratégica nos planos de expansão da piscicultura brasileira. Diante de novas barreiras comerciais, maior concorrência internacional e da forte dependência dos Estados Unidos, o setor intensificou a busca por mercados alternativos para a tilápia, principal espécie exportada pelo país.

Hoje, cerca de 92% das exportações brasileiras de tilápia têm como destino o mercado norte-americano, o que mantém o setor exposto a oscilações comerciais e tarifárias. Nesse cenário, países latino-americanos começam a ganhar protagonismo como alternativa para ampliar a presença internacional do pescado brasileiro e reduzir riscos.

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Setor vê momento de oportunidades para a tilapicultura

Apesar dos desafios, a avaliação do setor é de que a tilapicultura nacional vive um momento promissor. Para o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, a atividade entrou em uma fase de transformação que pode abrir espaço para crescimento nos próximos anos.

A leitura é de que a diversificação de mercados deixou de ser apenas uma oportunidade e passou a ser uma necessidade estratégica para sustentar o avanço das exportações e garantir mais segurança ao setor em um ambiente internacional mais competitivo.

Mesmo com a concentração nos Estados Unidos, o desempenho recente da atividade mostra resiliência. Segundo o pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho, as exportações cresceram cerca de 2% no último ano, mesmo após a adoção de tarifas a partir de agosto, o que reforça a competitividade da cadeia brasileira.

México desponta como mercado-chave para expansão

Entre os novos destinos no radar, o México aparece como uma das apostas mais relevantes para a tilápia brasileira.

O país importa cerca de 92 mil toneladas de tilápia por ano, volume expressivo e superior à metade do que os Estados Unidos compram. Ainda assim, a presença do Brasil nesse mercado continua limitada, com participação ainda modesta.

A avaliação é de que o México reúne condições favoráveis para uma expansão mais consistente, especialmente por já demonstrar demanda consolidada e por oferecer espaço para crescimento das vendas brasileiras.

Para o setor, trata-se de um mercado que começou a ser explorado mais recentemente, mas que pode ganhar importância nos próximos anos dentro da estratégia de internacionalização da piscicultura nacional.

Colômbia e Peru também entram no radar da piscicultura

Além do México, outros países da América Latina, como Colômbia e Peru, também aparecem como oportunidades concretas para o avanço das exportações brasileiras.

Esses mercados chamam atenção tanto pelo volume de importações quanto pela vantagem logística que o Brasil pode ter em relação a concorrentes asiáticos. A proximidade geográfica tende a reduzir custos de transporte, encurtar prazos de entrega e melhorar a competitividade comercial, especialmente em um mercado cada vez mais sensível a preço e eficiência.

Para a piscicultura brasileira, esse fator pode ser decisivo na construção de uma estratégia mais robusta de diversificação, principalmente em um momento em que depender de um único destino se tornou um risco maior.

Gargalo industrial ainda limita avanço em mercados maiores

Embora exista espaço para crescer em novos mercados, o principal entrave para a expansão da tilápia brasileira não está, neste momento, na produção dentro da porteira, mas sim no perfil do produto exportado.

Hoje, o Brasil embarca majoritariamente filé fresco, um produto de maior valor agregado, mas com menor escala e alcance mais restrito em comparação ao mercado global de grande volume.

No comércio internacional, a maior demanda está concentrada no filé congelado, produto mais acessível e dominado por concorrentes como China e Vietnã, que operam com elevada eficiência industrial.

Esse descompasso entre o que o Brasil oferece e o que os grandes mercados demandam limita o avanço em destinos mais volumosos e reduz a competitividade nacional em segmentos estratégicos.

Filé congelado pode mudar posição do Brasil no mercado

A expectativa do setor é que ajustes nas regras industriais possam ampliar a competitividade brasileira no segmento de filé congelado, o que teria potencial para mudar o posicionamento do país no mercado internacional.

A possível flexibilização de normas industriais é vista como um dos principais gatilhos para acelerar esse movimento. Na avaliação das lideranças do setor, ganhos de competitividade nessa área podem ocorrer mais rapidamente do que avanços produtivos, que exigem ciclos mais longos de investimento e maturação.

Na prática, isso significa que o Brasil pode ganhar espaço em mercados de maior volume se conseguir reduzir a diferença de eficiência industrial em relação aos concorrentes asiáticos.

Para a cadeia da tilápia, esse é um ponto central: o desafio não é apenas produzir mais, mas processar melhor, com escala, custo competitivo e capacidade de atender diferentes perfis de mercado.

Mercado europeu segue fechado e amplia pressão por diversificação

Outro obstáculo importante para a piscicultura brasileira continua sendo o fechamento do mercado europeu para o pescado brasileiro, em vigor desde 2017.

A restrição limita o acesso a um destino relevante e reforça ainda mais a necessidade de buscar novos compradores em outras regiões. Na avaliação do setor, a reabertura depende de negociações diplomáticas e de adequações sanitárias, temas que vão além da atuação direta do produtor e da indústria.

Enquanto esse impasse não é resolvido, a estratégia de diversificação ganha ainda mais peso, já que a manutenção do bloqueio europeu reduz alternativas e aumenta a importância de mercados mais próximos e acessíveis.

Inteligência de mercado ganha peso na nova estratégia

Com um ambiente mais competitivo e desafiador, a articulação entre entidades do setor, indústria e pesquisa passou a ter papel ainda mais relevante na construção da estratégia exportadora.

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