A produção recorde de carne de frango em 2025 ajuda a explicar a queda recente nos preços da proteína no mercado interno, mesmo em um cenário de exportações brasileiras ainda aquecidas. O setor avícola nacional encerrou o ano passado com 14,3 milhões de toneladas produzidas, segundo dados divulgados neste mês pelo IBGE, em um avanço de 4,2% sobre 2024 e no maior crescimento anual desde 2021.
O resultado reforça a força da avicultura brasileira, que conseguiu avançar mesmo em um ano marcado por um caso de gripe aviária. Na prática, o aumento da produção elevou a disponibilidade interna de carne e ampliou a pressão sobre os valores, especialmente no início de 2026.
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Último trimestre teve o maior volume da série histórica
O desempenho do último trimestre também chama atenção. Entre outubro e dezembro de 2025, a produção somou 3,65 milhões de toneladas de carne de frango, o maior volume trimestral de toda a série histórica do IBGE.
Em relação ao trimestre anterior, houve crescimento de 1,5%, enquanto na comparação com o mesmo período de 2024 o avanço foi ainda mais expressivo, de 8%. O dado confirma que a oferta seguiu robusta no fim do ano, sustentando um ambiente de maior disponibilidade da proteína no mercado doméstico.
Oferta interna maior ajuda a pressionar as cotações
Segundo pesquisadores do Cepea, esse ritmo acelerado de produção contribuiu diretamente para o aumento da oferta no mercado doméstico, movimento que acabou pressionando os preços da proteína.
As projeções do centro de pesquisas indicam que a disponibilidade interna de carne de frango cresceu de dezembro para janeiro, quando atingiu nível recorde, recuou levemente em fevereiro e voltou a subir em março. Esse comportamento do mercado ajuda a explicar por que os preços seguem pressionados mesmo diante do bom desempenho das exportações brasileiras.
Na prática, isso mostra que, embora a demanda externa continue dando sustentação ao setor, o volume ofertado internamente ainda tem sido suficiente para manter as cotações sob pressão no mercado nacional.
Exportações ajudam, mas não evitam ajuste no mercado doméstico
O bom desempenho das exportações segue sendo um fator importante para a cadeia avícola, mas não foi suficiente para impedir o ajuste nos preços internos. Com mais produto disponível dentro do país, o mercado precisou absorver um volume maior, o que naturalmente limita reações mais fortes nas cotações.
Para o produtor e para a indústria, esse cenário exige atenção redobrada às margens. Com maior oferta e preços mais fracos, o equilíbrio econômico da atividade depende ainda mais do comportamento dos custos de produção, da eficiência operacional e do ritmo de escoamento da proteína, tanto no mercado interno quanto no mercado externo.
Menor ritmo de abates pode mudar o cenário no próximo trimestre
Apesar da pressão recente, o mercado pode ganhar novo fôlego nos próximos meses. O Cepea estima que, no próximo trimestre, o ritmo de abates da indústria deve diminuir, o que tende a reduzir a oferta disponível e limitar o excesso de produto no mercado interno.
Se esse movimento se confirmar, a cadeia pode entrar em uma fase de maior equilíbrio entre oferta e demanda, criando um ambiente mais favorável para recuperação gradual dos preços ao produtor e para a indústria.
Fim da Quaresma pode reforçar a demanda interna
Outro ponto importante para o setor é o fim da Quaresma, período que tradicionalmente influencia o consumo de proteínas. Com a retomada mais firme da demanda doméstica, a expectativa é de que o mercado encontre um suporte adicional nas próximas semanas.
A combinação entre menor ritmo de abates e demanda mais aquecida pode abrir espaço para uma reação nos preços internos da carne de frango e também de outros produtos avícolas, trazendo algum alívio para a cadeia após um início de ano mais pressionado.
Mercado entra em fase de atenção para o segundo trimestre
No agro, a leitura é de um mercado que segue ajustando oferta e demanda após um ano de produção histórica. Se, por um lado, o recorde de 2025 reforça a capacidade produtiva da avicultura brasileira, por outro mostra que o aumento da disponibilidade interna tem impacto direto sobre as cotações.
Agora, a atenção se volta para o segundo trimestre, quando a combinação entre menor ritmo de abates e retomada do consumo pode redefinir o comportamento dos preços e melhorar o ambiente para o setor. Para produtores e agentes da cadeia, o momento é de acompanhar de perto esse ajuste, já que ele pode marcar uma virada importante no mercado avícola brasileiro.
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