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Chineses pagam mais por carne bovina sustentável, indica pesquisa da FGV Agro

O levantamento com foco no consumo de carne bovina brasileira reuniu 720 entrevistados que foram unânimes ao afirmarem a predileção por produtos mais sustentáveis

Chineses pagam mais por carne bovina sustentável, indica pesquisa da FGV Agro

Entrevistados aceitam pagar até 22,5% a mais desde que a origem do gado exportado pelo Brasil não seja de áreas que gerem impacto negativo ao meio ambiente

Foto do autor Redação RuralNews
08/05/2024 |

Os chineses estão dispostos a pagar mais pela carne bovina brasileira produzida em áreas não gerem impactos negativos ao meio ambiente. É o que indicam os números de pesquisa que contou com a presença dos pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS, na sigla em inglês para Chinese Academy of Agricultural Sciences) e do Centro de Estudos em Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGVAgro).



O resultado inédito foi apresentado no Seminário Brasil/China - Exportações de soja e carne: rotas para a sustentabilidade. As instituições brasileira e chinesa formam a Plataforma de pesquisa Brasil-China, que conta com o apoio da The Nature Conservancy (TNC). O levantamento com foco no consumo de carne bovina brasileira foi realizado nas cidades de Pequim e Xangai, reuniu 720 entrevistados que foram unânimes ao afirmarem a predileção por produtos mais sustentáveis.



Segundo o resultado, eles estão dispostos a pagar, em média, 22,5% a mais comparado ao preço atual do quilo da carne do Brasil, mas com a garantia e certificação de que o produto venha de rebanhos em áreas que atendam às exigências legais do código florestal.



A relevância da China para as exportações de carne bovina brasileira tem aumentado continuamente, passando de 0,99% em 2012 para 27,24% em 2022. Atualmente, o Brasil responde por quase 60% de toda a carne bovina importada pela China. Números que chamaram a atenção para a importância de fomentar a agricultura sustentável e políticas de rastreabilidade confiáveis em torno do processo de produção.

“É extremamente significativo o resultado desta pesquisa, porque mostra como os chineses estão prestando atenção na agenda ambiental”, destaca Kevin Chen, diretor do Centro Internacional para Agricultura e Desenvolvimento Rural, coordenador do CAAS e membro da Universidade de Zhejiang.



Ao lado da China, o grupo de pesquisadores brasileiros liderado pelo pesquisador do FGVAgro, Eduardo Assad, endossam a importância do estudo para agilizar e fortalecer iniciativas que unam tecnologia as Soluções Baseadas na Natureza (SBN). “O Brasil tem um problema sério na agricultura e o nome desse problema é o desmatamento. Quem aplica a agricultura regenerativa tem resiliência, mas como será o futuro se nada for feito? O segmento já está sentindo os efeitos da crise hídrica, por exemplo”, reforça o pesquisador.