Boi: euforia por causa da China diminui e fundamentos voltam a ser predominantes
O futuro do boi até teve uma reação positiva inicial, mas algumas situações precisam ser esclarecidas
Frigoríficos devem seguir comprando o estritamente necessário para manter a escala
Há
notícias de frigoríficos abrindo vagas de trabalho em unidades
habilitadas para a China em alguns estados brasileiros, uma euforia
pelas recentes autorizações para exportação de carne bovina para
o país asiático. O futuro do boi até teve uma reação positiva
inicial, mas algumas situações precisam ser esclarecidas. A
primeira, mais tortuosa, é a de que a amplificação de frigoríficos
em condições de vender a China, atende o interesse chinês de
pulverizar fornecedores, elevar a oferta e segurar preços. As
exportações brasileiras já são muito boas. Os frigoríficos devem
seguir comprando o estritamente necessário para manter a escala.
Há
duas estratégias vigentes no mercado do boi gordo neste momento. Uma
dos pecuaristas, outra, da indústria. Da indústria, é bem clara, é
usada desde a segunda quinzena do ano, a compra de animais o
suficiente para manter as escalas nos níveis atuais e, com isso,
propor preços menores. O produtor rural, ao observar a manobra,
também tem ofertado lotes de boiada menores para o frigorífico.
Claro, em alguns estados produtores, vimos uma situação na qual
tiveram ofertas maiores, mas nada que mude o cenário.
A
questão é que a resistência do pecuarista, a oferta de lotes
menores e a não concessão nos preços da arroba do gado pronto, só
são possíveis pela oferta de pastagem nas propriedades rurais.
Enquanto houver pastagem, há equilíbrio, sem ela a pressão da
indústria deve se agravar. Por isso mesmo, é necessário um
planejamento individual de vendas para não ficar com a parte
volumosa dos animais para vender em um período de
preços, sazonalmente, menores.
Por
fim, segunda-feira, a Secretaria de Comércio Exterior trouxe os
números parciais para as exportações brasileiras. No caso da carne
bovina, embarcou, até a terceira semana de março, o volume de 84,6
mil toneladas, com média diária de 7,6 mil toneladas, 42,3% maior
que março/23. O preço da tonelada ficou em US$ 4,505 mil recuo de
6,4%, se comparado ao mesmo período do último ano.