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Como as mulheres estão rompendo barreiras e mudando o perfil da liderança no Brasil

Nos últimos anos, tem sido cada vez mais comum ver mulheres rompendo barreiras e assumindo posições de liderança no Brasil, esse cenário é resultado não somente das diversas mudanças sociais e culturais, mas também da crescente participação feminina no mercado de trabalho

Como as mulheres estão rompendo barreiras e mudando o perfil da liderança no Brasil

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11/05/2023 |

Nos últimos anos, tem sido cada vez mais comum ver mulheres rompendo barreiras e assumindo posições de liderança no Brasil. Esse cenário é resultado não somente das diversas mudanças sociais e culturais, mas também da crescente participação feminina no mercado de trabalho - reflexo do maior envolvimento do mundo corporativo com o tema.

Segundo uma pesquisa realizada pela Grant Thornton, empresa global de auditoria, consultoria e tributos, em 2022 as mulheres ocupavam 38% dos cargos de liderança no país. Apesar de ainda não ter atingido números igualitários, o resultado já representa um avanço, visto que, em 2019, a porcentagem era de 25%.

Já um estudo da consultoria McKinsey mostra que a presença feminina no mercado de trabalho e em cargos de liderança pode gerar, até 2025, um aumento de até US$ 12 trilhões no PIB mundial. Somente no Brasil, esse acréscimo seria de, aproximadamente, US$ 410 bilhões.

Apesar das mudanças já conquistadas, ainda há desafios a serem enfrentados. E é em busca de fomentar ainda mais essa transformação que ocorre, anualmente, o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA).

Movimentando um dos setores mais fortes do país e do mundo, o evento está em sua 8ª edição e espera reunir cerca de 3 mil congressistas nos dias 25 e 26 de outubro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Este ano com uma mesa-redonda dedicada ao tema "Mulheres na liderança: superação e sucesso”.

Desde a primeira edição, nosso objetivo sempre foi destacar e fortalecer o trabalho das mulheres que diariamente ajudam a movimentar nosso país. E buscamos exercer essa importante missão por meio de inúmeras trocas de experiências, conhecimento e histórias inspiradoras, além do networking criado, gerando conexões do Norte ao Sul do Brasil

Renata Camargo, Gerente de Desenvolvimento e Novos Negócios no Transamerica Expo Center Dentro do agronegócio, mais de 30 milhões de hectares no país são administrados por mulheres atualmente, de acordo com um estudo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em conjunto com a Embrapa e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um levantamento do SEBRAE mostra, ainda, que aproximadamente um milhão de representantes femininas estão no comando de propriedades.

Inspirando uma nova realidade

Mulheres líderes brasileiras são exemplos inspiradores de perseverança e superação. Elas trazem novas perspectivas, estratégias e habilidades únicas para onde estão inseridas, e, pouco a pouco, estão ajudando a construir um futuro mais igualitário e justo.

Fabiana Alves, nomeada recentemente como a nova CEO do Rabobank e Head do banco na América do Sul, é um dos exemplos desse novo cenário que vem se consolidando.

“O agro nasceu comigo, porque desde criança eu adorava ir para a fazenda com meu avô. Pude me formar em Engenharia Agronômica na Universidade Federal de Viçosa, trabalhar em fazenda e depois em diversas etapas da cadeia do agro. Cursar um MBA na Universidade da California me levou ao setor financeiro e, após 15 anos, à minha posição atual, de CEO do Rabobank Brasil e a primeira mulher a assumir como Head da instituição na América do Sul”, relata.

Escolas ensinam mentiras sobre o agronegócio, afirma associação “De Olho no Material Escolar” Além de representar uma história de sucesso na luta feminina, a novidade também foi significativa para o CNMA, que tem a executiva como apoiadora, inspiração e participante ativa do evento desde 2016. Para ela, as grandes empresas também têm um papel essencial como influenciadoras de mudanças. “Investir em pautas relevantes como essa não só deve ser parte da agenda e dos compromissos ESG das empresas, como também pode favorecer seus negócios e a formação de melhores profissionais para seu setor”, diz.

“Tive o prazer de apoiar o Congresso desde a primeira edição e é muito gratificante ver o quanto já evoluímos e como ele foi fundamental para dar visibilidade à agenda de diversidade no agro, para promover o networking feminino nacionalmente e fortalecer a igualdade de oportunidades. Além disso, contribui na formação destas profissionais discutindo temas atuais e de relevância, essenciais para que as mulheres possam continuar agregando valor”, finaliza Fabiana.

A força delas em Minas Gerais

Outra história inspiradora é de Ana Valentini, produtora rural, engenheira florestal e a primeira mulher a comandar a Secretária de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais.

Desde 1987, ela participa do Programa de Desenvolvimento do Cerrado (PRODECER), que contou com o apoio do governo japonês para ampliar as áreas agricultáveis de soja no Brasil. E entre seus trabalhos como engenheira de pesquisa florestal, ela esteve, nos anos 80, envolvida no projeto “Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais”, na Amazônia, coordenado pela fundação World Wide Fund for Nature (WWF) - organização internacional não governamental que atua nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental.