Brasil: a nova potência de energia limpa e renovável
Cleiton Santos Santana*
Foto: Cleiton Santos Santana
Um dos
principais aspectos da lei é o aumento progressivo dos percentuais
obrigatórios de biodiesel no óleo diesel comercializado. A partir de
2025, a mistura obrigatória começará em 15%, aumentando gradativamente
até atingir 20% em 2030. Essa
medida tem o objetivo de reduzir as emissões de carbono no setor de
transportes, promovendo o uso de fontes renováveis e alinhando o Brasil
às práticas globais de mitigação de poluentes.
Além disso, a
legislação estabelece as bases para a criação do Programa Nacional de
Diesel Verde e um novo marco regulatório para o hidrogênio verde. Este
combustível é considerado essencial para a descarbonização de setores
como o da
indústria de aço, cimento e transporte pesado. O governo destinou R$
18,3 bilhões em incentivos fiscais, que serão distribuídos entre 2028 e
2032, para estimular a produção e a compra desse combustível limpo.
O Brasil visa
se tornar líder global no mercado de hidrogênio verde, aproveitando suas
fontes renováveis, como energia solar e eólica, para sua produção. Um
destaque relevante é a inclusão do etanol como matéria-prima na produção
de
hidrogênio verde. Embora o processo com etanol gere mais emissões de
carbono do que com energia solar ou eólica, ele ainda é
significativamente menos poluente do que o hidrogênio cinza, produzido a
partir do gás natural. Essa estratégia aproveita
de forma eficiente os recursos abundantes no Brasil.
As novas
legislações refletem o compromisso do país em adotar uma matriz
energética mais diversificada e sustentável. Em 2023, o Brasil foi o
terceiro maior destino de investimentos em energias renováveis,
consolidando sua posição no cenário
internacional.
Além disso, a
Lei do Combustível do Futuro regula outras áreas fundamentais para a
transição energética, como os combustíveis para aviação sustentável
(SAF) e o biometano. O Conselho Nacional de Política Energética será o
responsável por
definir metas de redução de emissões de gases de efeito estufa a partir
de 2026, que poderão variar entre 1% e 10%.
No Brasil,
existe uma multiplicação positiva de investimentos no mercado de energia
renovável e de combustíveis. Um fundo em especial, o BSO - Brazil
Special Opportunities, conseguiu reunir duas classes de investimentos
distintas, mas altamente
atraentes e complementares. Uma das empresas do grupo é a Liquipar
Operações Portuárias S.A., que arrematou no ano passado a área PAR 50 do
Porto de Paranaguá, no Litoral do Paraná, vai investir R$ 572 milhões
para triplicar a capacidade de
escoamento de líquidos pelo terminal, especialmente de combustíveis.
Vale destacar
que o Porto de Paranaguá terá o primeiro terminal de liquefação de
biometano (“Bio-GNL”) e será pioneiro na liquefação, armazenamento e
exportação do produto. Um esforço conjunto entre o Governo do Estado do
Paraná, a
Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina e a empresa Liquipar
tornou possível um projeto estruturante, que será um divisor de águas no
país para o desenvolvimento da chamada “Pauta Verde” no setor de
combustíveis.
Outro aspecto
relevante da lei é o incentivo às atividades de captura e estocagem de
carbono. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) será responsável por
autorizar projetos de captura de dióxido de carbono para armazenamento,
com concessões de 30
anos, prorrogáveis por mais 30, promovendo práticas ecológicas de
sequestro de carbono.
A Lei do
Combustível do Futuro, juntamente com o marco regulatório do hidrogênio
verde, representa um avanço significativo para o Brasil rumo a uma
economia mais sustentável, consolidando o país como uma potência de
energia limpa e
renovável.
*Cleiton
Santos Santana é Fundador Cotista do Grupo BSO - Brazil Special
Opportunities, aonde faz parte a Stronghold Infra Investiment e a
Liquipar terminais portuários com mais de 20 anos de experiência nos
setores de Energia, Commodities e
Financeiro.