A movimentação de cargas do agronegócio brasileiro atinge aproximadamente 1 bilhão de toneladas por ano, com 65% desse volume dependente da malha rodoviária, de acordo com dados consolidados pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG). Paralelamente à necessidade de escoar safras recordes, a matriz que alimenta esse sistema passa por reconfigurações operacionais: o Balanço Energético Nacional de 2026, formulado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), revela que 26,1% da energia consumida pelo setor de transportes em 2025 já teve origem em fontes renováveis, confirmando o avanço gradual da descarbonização nos corredores logísticos.
Esse cenário de transição tecnológica e energética pautará as discussões do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), evento organizado pela DATAGRO nos dias 1º e 2 de outubro no Nubank Parque, na capital paulista. O encontro reúne lideranças do agronegócio, montadoras, empresas de infraestrutura e investidores para analisar os gargalos do transporte de cargas pesadas e as exigências globais de redução da pegada de carbono.
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O debate ganha relevância diante da necessidade de estruturação de redes de abastecimento e recarga ao longo das principais rodovias de escoamento. Esse gargalo será debatido no painel “Quem Vai Carregar o Brasil? Energia, recarga e a infraestrutura da nova mobilidade”, que contará com a participação do vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy. A digitalização do transporte de carga e o uso de inteligência artificial aplicada à telemetria de frotas e autonomia veicular serão apresentados na palestra “O Carro Virou um Computador: IA, software, dados e a nova batalha pela experiência”, conduzida pelo consultor e especialista automotivo Ricardo Bacellar.
Eixos estratégicos e novos modelos de propriedade veicular
A grade temática contempla ainda análises sobre a viabilidade econômica da substituição de frotas fósseis por sistemas híbridos e elétricos em caminhões e utilitários. Painéis como “Eletrificação que Fecha a Conta: do motorista de aplicativo à frota de milhares” e “Da Cidade ao Campo: picapes, caminhões e a logística que move o Brasil” foram desenhados para calcular a viabilidade financeira e o custo total de posse desses veículos no transporte do agronegócio.
Além da troca de motores, a digitalização dos serviços logísticos amplia a adesão a formatos como frotas compartilhadas, terceirização por aplicativo e locação por assinatura corporativa, temas que serão debatidos nas plenárias do evento. Com mais de 81 sessões programadas, seis palcos simultâneos e 330 debatedores, o fórum posiciona a modernização dos modais de transporte como condição mandatória para assegurar a competitividade dos produtos agropecuários brasileiros no mercado exterior.
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