O agronegócio é cativante e dinâmico por vários motivos. Mas alguns deles, certamente, são a quantidade de paradoxos e quebra de paradigmas que nos motivam e desafiam o tempo todo. A ciclicidade dos momentos de crescimentos e de ajustes, altíssima tecnologia, contrastada pela humildade de não controlar o clima, a nobreza de alimentar o mundo com a dureza dos inúmeros fatores econômicos que desafiam a perenidade da atividade. Isso tudo torna o setor intenso e, na minha opinião, apaixonante.
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Para a indústria agrícola de insumos, o paradoxo que tenho refletido muito nos últimos tempos e tem sido tema de muitas conversas e debates é o da diferenciação e da criação de valor. Por um lado, não existe agricultura sem tecnologia e inovação (ainda mais em um ambiente tropical e de alta intensidade como o nosso), mas ao mesmo tempo, está evidente que a diferenciação somente através do produto não é mais suficiente.
Estou cada vez mais convencido que a diferenciação e a geração de valor para o cliente (e consequentemente, para a cadeia) estão intrinsicamente ligadas a entender genuinamente o seu negócio tanto quanto ele. Pensar, se organizar e atuar cada vez mais como o cliente. Cocriar e desenvolver soluções que resolvam as reais dores ou ajudem de maneira cada vez mais horizontal no seu negócio.
Na indústria de pesquisa e desenvolvimento, este é um grande desafio para as organizações. Precisamos de intencionalidade, uma certa ousadia e resiliência para realizar uma mudança como essa. É muito mais fácil falar do que fazer. Precisamos mover parte da complexidade que o agricultor enfrenta e gerir o dentro da porteira para dentro “da nossa casa". Precisamos fazer a mudança do foco do produto para o foco no cliente, de oferta para solução, de categoria e segmento para sistema produtivo. Mudar o foco, na prática, quer dizer: mudar a lógica, as decisões, as prioridades, os processos, as competências e o mais importante: a forma de pensar e atuar.
Vejo que, cada vez mais, será necessário cooperar, integrar cadeias, verticalizar e combinar conhecimentos, tecnologias e modelos de negócios. Para isso, parcerias e relações cada vez mais profundas e transparentes serão fundamentais. Fazer escolhas conscientes e mais longevas completam o panorama.
É crucial que as empresas dessa indústria compreendam que a inovação não se resume apenas a novos produtos e tecnologias, mas também à criação de experiências que agreguem valor e fortaleçam o legado do agricultor. A diferenciação passa, mais do que nunca, pela capacidade de ouvir, entender e atender as suas necessidades de forma coerente e rentável para toda cadeia. Assim, inovação e personalização se entrelaçam, garantindo que, mesmo em tempos de adversidade, haja espaço para crescimento e sucesso mútuo.
Marcelo Batistela é Vice-presidente da BASF Soluções para Agricultura no Brasil
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