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Pinhão inicia safra no RS com menor produção e preço maior

Foto do autor Jair Reinaldo
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Pinhão inicia safra no RS com menor produção e preço maior
Safra de pinhão começa no Rio Grande do Sul com previsão de menor colheita em parte da Serra Gaúcha e preços um pouco superiores aos de 2025. Foto: Divulgação

Temporada 2026 começa no Rio Grande do Sul com expectativa de redução da produção em parte da Serra Gaúcha

A safra de pinhão 2026 começou nesta quarta-feira (1º) no Rio Grande do Sul com um cenário de menor produção em parte das principais regiões extrativistas do Estado. Na Serra Gaúcha, considerada a principal área produtora, a expectativa é de redução na colheita em relação ao ano passado, embora os preços devam ficar ligeiramente acima dos registrados em 2025.

A abertura oficial da temporada segue o calendário previsto em lei estadual, que autoriza a colheita, transporte, comercialização e armazenamento da semente a partir de 1º de abril. A regra busca equilibrar a exploração econômica do pinhão com a preservação da araucária, espécie nativa ameaçada de extinção e diretamente ligada à cadeia produtiva da semente.

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Serra Gaúcha deve colher menos em 2026

A Serra Gaúcha, a região das Hortênsias e os Campos de Cima da Serra concentram a maior parte da produção de pinhão no Rio Grande do Sul. Em 2025, a colheita regional ficou em torno de 600 toneladas, mas, para este ano, a tendência é de redução na maioria dos municípios.

As estimativas indicam quedas bastante variadas, com recuos que podem ir de 12,5% até 60%, dependendo da localidade. Ainda assim, há exceções. Em municípios como Caxias do Sul, a expectativa é de manutenção dos volumes da última safra, enquanto em Canela há previsão de aumento de até 100% em relação ao ano passado.

A redução geral na produção está ligada, principalmente, às condições climáticas enfrentadas nos últimos anos. O histórico de estiagens recorrentes, combinado com excesso de chuvas no fim do inverno e início da primavera, afetou o período de reprodução e desenvolvimento da semente. Além disso, a própria araucária apresenta alternância natural de produção, com oscilações cíclicas na produtividade.

Queda varia entre municípios e afeta renda no campo

Entre os municípios tradicionalmente mais importantes da cadeia, São Francisco de Paula deve registrar uma das maiores quedas. Em anos considerados normais, a produção gira em torno de 120 toneladas, mas em 2026 a estimativa é de apenas 40 toneladas, uma retração superior a 60%. O município reúne cerca de 160 famílias da agricultura familiar envolvidas na coleta e extração do pinhão.

Outras cidades dos Campos de Cima da Serra também devem sentir redução. Muitos Capões e Jaquirana, por exemplo, projetam 120 toneladas cada, com queda de 20% em relação à safra anterior. Cambará do Sul estima 36 toneladas, cerca de 40% abaixo do ano passado, enquanto Bom Jesus prevê 35 toneladas, com redução de 30%. Em São José dos Ausentes, a expectativa é de 30 toneladas, o que representa queda de 50%.

Em municípios como Monte Alegre dos Campos, Pinhal da Serra, Esmeralda e Vacaria, a atividade também mantém relevância econômica, reforçando o peso do pinhão como fonte de renda complementar ou, em alguns casos, de sustento para famílias rurais.

Produto mantém força na cultura e no turismo gaúcho

Além da importância econômica no meio rural, o pinhão tem forte ligação com a cultura e a tradição do Rio Grande do Sul. Em cidades como Gramado, Canela e Nova Petrópolis, a semente também integra a cadeia do turismo, especialmente durante os meses mais frios, quando o consumo costuma crescer.

Esse valor cultural amplia a importância do produto para além do extrativismo, conectando o pinhão a feiras, comércio local, gastronomia e eventos sazonais. Em várias regiões, a comercialização ainda ocorre de forma predominantemente informal, o que dificulta estimativas precisas sobre o número de famílias envolvidas e os volumes movimentados.

Qualidade é boa, mas estiagem reduziu tamanho da semente

Apesar da expectativa de menor colheita em parte da Serra, o estado fitossanitário da safra é considerado positivo. As pinhas e os pinhões apresentam boa qualidade e sanidade, o que é um fator importante para a comercialização no início da temporada.

Por outro lado, os frutos e sementes vêm apresentando tamanho reduzido em comparação com anos considerados normais, reflexo das estiagens prolongadas registradas nas últimas safras. Esse fator pode influenciar tanto a produtividade quanto a percepção de valor do produto em determinados mercados.

A colheita segue sendo totalmente manual, e a cadeia produtiva ainda conta com poucas iniciativas de beneficiamento, industrialização e armazenamento. Por isso, a maior parte da comercialização se concentra entre abril e junho, podendo avançar até julho ou agosto nas áreas com variedades mais tardias.

Outras regiões mantêm produção estável ou próxima da normalidade

Fora da Serra, o cenário é mais equilibrado em algumas regiões. Em Passo Fundo, por exemplo, a safra começa com normalidade de produção, com pinhas e pinhões bem formados. A estimativa é de 130 toneladas, com destaque para municípios como Barracão, Caseiros, Capão Bonito do Sul, Mato Castelhano, Água Santa e Lagoa Vermelha.

Na região de Soledade, a previsão também é de uma safra considerada normal. Cerca de 140 famílias produtoras devem colher 100 toneladas, em um cenário semelhante ao do ano passado, sem excesso de produção, mas também sem perdas mais severas.

Em Fontoura Xavier, principal produtor da região, a expectativa é de 50 toneladas colhidas por 70 famílias, com forte presença da comercialização em tendas às margens da BR-386, tanto do produto in natura quanto cozido. Esse modelo agrega valor e tem peso socioeconômico relevante para o município. Passa Sete, segundo maior produtor regional, deve colher 12 toneladas com 20 famílias envolvidas.

Preços começam firmes e podem compensar parte da menor oferta

No início da safra, o preço pago ao produtor varia entre R$ 6 e R$ 8 por quilo em algumas regiões. Para o consumidor final, os valores ficam entre R$ 12 e R$ 15 por quilo, podendo ser ainda maiores em feiras, supermercados e outros canais de venda.

Na Serra, a faixa de preços é bastante ampla. O produto entregue a intermediários pode partir de R$ 5 por quilo, enquanto em pontos de venda direta os valores chegam a R$ 16 por quilo. Quando há algum tipo de beneficiamento, como pinhão moído ou paçoca, o preço pode alcançar entre R$ 20 e R$ 30 por quilo.

O preço mínimo oficial pago ao extrativista em 2026, conforme portaria do Ministério da Agricultura, é de R$ 4,63 por quilo. Com a expectativa de menor oferta em parte da safra, a tendência de preços um pouco superiores aos de 2025 pode ajudar a compensar parcialmente as perdas de volume em algumas localidades.

Safra menor mantém relevância para o agro gaúcho

Mesmo com recuo na produção em parte da Serra Gaúcha, a safra de pinhão 2026 começa mantendo sua importância para o meio rural do Rio Grande do Sul. O produto segue como fonte de renda para centenas de famílias, movimenta economias locais, fortalece o turismo e preserva uma tradição profundamente ligada à identidade da região.

Para o agro gaúcho, a temporada será acompanhada com atenção, especialmente pelo impacto do clima sobre os volumes e pela capacidade de os preços compensarem parte da redução na colheita. Em um ano de oferta mais irregular, o pinhão volta ao mercado como símbolo cultural, produto florestal nativo e alternativa econômica relevante para o campo.

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