A deterioração dos serviços de distribuição de energia elétrica no interior do Paraná ganhou comprovação estatística oficial. Segundo o Informativo de Ouvidoria Setorial da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), divulgado em setembro, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) acumulou 6.051 reclamações formais entre setembro de 2025 e agosto de 2026. O volume representa um salto de 110,4% em relação aos doze meses precedentes, conferindo à concessionária paranaense o quarto maior aumento relativo entre as 51 distribuidoras de energia do país e a décima posição em volume total de queixas.
A explosão de registros na agência reguladora reflete o desgaste diário vivenciado no campo paranaense, onde oscilações de tensão, demora no religamento e quedas recorrentes colidem com um aumento expressivo nas contas. Desde 24 de junho, a tarifa da empresa subiu em média 20,51% no estado, índice quase cinco vezes superior à inflação oficial de 2025 (4,26%), obrigando o setor produtivo paranaense a pagar mais por um serviço deficitário.
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No Oeste do estado, a produtora de leite Franciele Aparecida Byk Schneider, de Marechal Cândido Rondon, relata que a instabilidade impede a rotina de sua propriedade, que produz até 18 mil litros mensais. Em episódios recentes, a ordenha foi interrompida 20 vezes em uma hora e meia. A baixa tensão pós-temporais forçou o uso contínuo de gerador a diesel para acionar ordenhadeiras, bombas de água do gado e resfriadores de leite, elevando os custos de produção sem que as equipes de campo da companhia sanassem o problema na rede.
O presidente do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, Edio Chapla, alerta que o prejuízo se espalha por outras cadeias do agronegócio paranaense, como a piscicultura. A meia-fase ou a tensão rebaixada no fim da tarde impede o funcionamento correto dos aeradores de tanques e não aciona o gerador automático — já que o sistema não detecta a falta completa de luz —, criando risco imediato de asfixia dos peixes. Há casos de produtores locais que aguardaram até 48 horas pela religação manual de chaves individuais nos postes.
Aviários no limite no Sudoeste e robôs parados no Centro-Sul paranaense
No Sudoeste paranaense, o avicultor Gilvânio Bussularo, de Coronel Vivida, trabalha sob alerta permanente com um plantel de 50 mil aves por lote. O produtor tem recorrido ao gerador até três vezes por semana para driblar quedas de fase que queimam quadros de comando, contatores e lâmpadas dos galpões climatizados, cenário que compromete a segurança biológica do lote em caso de falha mecânica do maquinário auxiliar.
Já em Espigão Alto do Iguaçu, na região Centro-Sul do Paraná, investimentos em tecnologia de ponta esbarram na fragilidade da rede elétrica. O produtor de leite Meysson Vetorello adquiriu um sistema de ordenha robotizada, mas precisa ligar o gerador diariamente às 17h para compensar a queda de tensão no horário de pico. Além do custo operacional, o pecuarista teve sua fábrica de ração destruída por um tornado e enfrentou dias sem luz após protocolos da empresa darem baixa indevida em ordens de serviço pendentes.
Nos Campos Gerais do Paraná, comunidades rurais de Tibagi enfrentaram interrupções de até seis dias consecutivos de desabastecimento elétrico. O presidente do sindicato rural do município, Mauricio Chizini Barreto, aponta perdas volumosas na suinocultura, avicultura e bacia leiteira. Produtores da localidade, como Guilherme Geus, relatam a paralisação de secadores de grãos em plena safra e a falta de água para os animais, além de prejuízos sociais diretos às famílias de trabalhadores rurais que perdem alimentos refrigerados.
Procedimentos para denúncias e ressarcimento de prejuízos no Paraná
Produtores rurais paranaenses que registrarem danos a equipamentos ou perdas produtivas devem protocolar a ocorrência primeiramente junto à distribuidora, guardando comprovantes e protocolos técnicos para pleitear indenizações:
Copel (Paraná): Central telefônica 0800 643 7676 (atendimento 24h) ou canal de WhatsApp pelo (41) 3013-8970.
Aneel (em caso de ausência de solução pela distribuidora): Telefones 167 e 0800 727 0167 (segunda a sábado, das 8h às 20h), assistente virtual no endereço chat-aneel.tellus.tec.br, aplicativo móvel Aneel Consumidor ou pelo formulário em gov.br/aneel.
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