Guerra comercial: impasse entre China e EUA pode escalar e afetar os mercados
Analista da Hedgepoint Global Markets lembra que no ano de 2018, tarifas sobre a soja impactaram fortemente as exportações dos EUA, resultando em estoques recordes e queda nos preços.
Presidente americano Donald Trump anunciou recentemente tarifas para México, Canadá e China
Segundo anaistas da Hedgepoint Global Markets, empresa especializada em gestão de risco, inteligência de mercado e execução de hedge para os mercados agrícolas e de energia, o mercado retornou à normalidade após o Ano Novo Lunar na China. Na
América do Sul, chuvas recentes aliviam o cenário para Argentina e
Brasil, mas temperaturas acima do normal podem afetar as safras de milho
e soja.
Também no mercado, os prêmios climáticos seguem relevantes, assim como a geopolítica. Trump anunciou tarifas para México, Canadá e China, com adiamento de um mês para os dos dois primeiros países, reacendendo temores de guerra comercial.
China, EUA e tarifas: nova guerra comercial?
Com a economia chinesa retomando às atividades após o Ano Novo Lunar na quarta (05/02), houve um impulso nos mercados. No cenário comercial, a China impôs tarifas de 10% a 15% sobre diversos produtos dos EUA, como petróleo bruto e gás natural, em resposta às medidas de Trump. Embora não tenha sido mencionada nova tarifa para grãos ou produtos do complexo de soja, o alerta está ligado.De
acordo com Luiz Fernando Roque, coordenador de Inteligência de Mercado
da Hedgepoint Global Markets, “o impasse entre China e EUA pode escalar,
lembrando 2018, quando tarifas sobre a soja impactaram fortemente as
exportações dos EUA em 2018/19 e
2019/20, resultando em estoques recordes e queda nos preços. O Brasil se
beneficiou com o maior volume de compra pelos chineses, aumentando as
exportações brasileiras e preços internos”.
Se
as tensões comerciais entre EUA e China aumentarem e a soja
norte-americana for novamente tarifada, o mercado pode enfrentar um
cenário semelhante ao de 2018/19 e 2019/20.Isso exige atenção dos
players, pois pode impactar exportações e preços.
O USDA projeta que os EUA exportarão 49,7 milhões de toneladas de soja
em 2024/25, com estoques finais de 10,3 milhões de toneladas.