Transição climática acende alerta para safrinha no Brasil
StoneX alerta para transição climática, risco de El Niño e impactos na safrinha e no agro brasileiro em 2026
As previsões climáticas para os próximos meses indicam um cenário de transição no fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS), com tendência de neutralidade no curto prazo e aumento do risco de formação de um novo El Niño no segundo semestre de 2026. A análise consta na 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX e reforça o alerta para um ambiente mais instável no campo.
De acordo com os principais centros internacionais de monitoramento, a probabilidade de neutralidade do ENOS gira em torno de 60% entre março e maio e chega a 70% entre abril e junho, com esse padrão podendo se estender até julho. A partir daí, os modelos indicam aquecimento do Pacífico Equatorial, elevando as chances de retorno do El Niño.
Segundo a analista de mercado da StoneX, Carolina Giraldo, o período de transição deve ser marcado por maior volatilidade climática. Ela destaca que o aquecimento global continua pressionando as temperaturas, enquanto os padrões tradicionais do ENOS já não explicam sozinhos o comportamento do clima, exigindo mais cautela nas decisões no campo.
Chuvas irregulares e calor acima da média
As análises da temperatura da superfície do mar indicam anomalias positivas em diversas regiões do planeta no trimestre entre abril e junho, incluindo o Pacífico Equatorial e o Atlântico Sul. Esse cenário pode favorecer episódios pontuais de maior umidade no Sul do Brasil, dependendo da atuação de sistemas atmosféricos.
Em relação às chuvas, o principal desafio segue sendo a irregularidade. Os modelos apontam variações significativas na distribuição das precipitações ao longo dos próximos meses, com períodos de déficit e excesso em diferentes regiões, dificultando o planejamento agrícola.
Riscos para a safrinha e produção agrícola
Na América do Sul, a transição climática amplia as incertezas sobre a reta final da safrinha de milho. A possível intensificação da corrente de jato subtropical pode limitar o avanço de frentes frias e reduzir a umidade no Sudeste e Centro-Oeste, antecipando o fim das chuvas em estados importantes como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Esse cenário pode comprometer o desenvolvimento das lavouras em fases críticas, afetando a formação de biomassa e o potencial produtivo. Por outro lado, as chuvas registradas anteriormente ajudam a sustentar a expectativa de uma boa safra 2025/2026 e contribuem para a recuperação de culturas como café e cana-de-açúcar em algumas regiões.
Ainda assim, volumes elevados de chuva em estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais já demonstraram que o excesso também pode gerar prejuízos, atrasando colheitas e prejudicando o andamento das operações no campo.
Segundo semestre exige atenção redobrada
Para a segunda metade do ano, o relatório destaca o risco adicional da combinação entre um possível El Niño e o Dipolo Positivo do Índico. Caso esse cenário se confirme, há aumento do risco de seca em regiões da Oceania e também no Norte e Nordeste do Brasil.
Essa condição pode afetar cadeias produtivas importantes e elevar a volatilidade dos mercados agrícolas, exigindo acompanhamento constante por parte dos produtores.
Diante desse cenário, a recomendação é de planejamento com maior margem de segurança e gestão ativa de risco climático, já que o comportamento do tempo tende a seguir mais irregular e imprevisível ao longo de 2026.