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Uso do PRODES no crédito gera insegurança entre produtores

Foto do autor Jair Reinaldo
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Uso do PRODES no crédito gera insegurança entre produtores
Produtores precisam reforçar documentação para evitar entraves no crédito rural Foto: Aprosoja MT / Bruno Lopes

Monitoramento por satélite passa a influenciar decisões financeiras, exigindo atenção redobrada dos produtores

A nova resolução do Conselho Monetário Nacional passou a considerar o PRODES como critério de elegibilidade para acesso ao crédito rural, medida que entrou em vigor no último dia 1º de abril e já acende um alerta entre produtores e agentes do setor.

Monitoramento não define ilegalidade

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O ponto de atenção está no fato de que o sistema tem como função monitorar alterações no uso do solo por meio de imagens de satélite, sem, no entanto, determinar se houve desmatamento legal ou ilegal. Isso pode gerar interpretações equivocadas no momento da análise de crédito por instituições financeiras.

Ações de orientação no campo e nos bancos

Diante desse cenário, a Aprosoja MT tem intensificado ações de orientação junto a produtores e bancários, buscando evitar bloqueios indevidos no acesso ao crédito rural. O vice-presidente da entidade, Luiz Pedro Bier, participou de reuniões com instituições financeiras para esclarecer o uso correto das informações geradas pelo sistema.

Segundo ele, a iniciativa busca garantir que produtores que atuam dentro da legalidade não sejam prejudicados por inconsistências ou interpretações inadequadas dos dados. A entidade também reforça a importância de levar informações técnicas e a realidade do campo para dentro das instituições financeiras, contribuindo para análises mais equilibradas.

Documentação passa a ser decisiva

Além disso, os produtores rurais são orientados a manter a documentação da propriedade sempre atualizada e acompanhar eventuais apontamentos do sistema. Documentos como Autorização de Supressão Vegetal (ASV), Termo de Compromisso ou Ajuste de Conduta (TC ou TAC), Plano de Regularização Ambiental (PRA) e Cadastro Ambiental Rural (CAR) são fundamentais para contestar possíveis negativas de crédito.

Também existe a possibilidade de contestação dos dados diretamente junto ao INPE, responsável pelo sistema PRODES. Apesar de o processo ser considerado mais demorado, ele permite a correção de informações que possam estar equivocadas.

Bancos reforçam orientação e treinamentos

Com a Resolução nº 5.268/2025, os dados do PRODES passaram a ser utilizados pelas instituições financeiras não apenas na concessão, mas também na manutenção e até na desclassificação de operações de crédito. Como o monitoramento é baseado na comparação de imagens, o setor reforça que a interpretação adequada dessas informações é essencial para evitar distorções.

Representantes do Banco do Brasil destacaram que treinamentos vêm sendo realizados para orientar equipes internas sobre o uso correto dessas informações. A avaliação é de que a maioria dos casos pode envolver inconsistências, o que exige cautela, análise técnica e diálogo com os produtores.

Atenção redobrada no acesso ao crédito

Nesse novo cenário, a recomendação é de atenção redobrada por parte dos agricultores, tanto na gestão ambiental das propriedades quanto na organização documental, para garantir o acesso ao crédito e evitar entraves operacionais em um momento já desafiador para o setor.

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