As cotações da soja mantêm a trajetória de desvalorização na Bolsa de Chicago (CBOT) na manhã desta terça-feira, de acordo com o boletim diário da Granoeste Corretora. O contrato com vencimento para novembro registra recuo de 7 pontos, cotado a US$ 12,17 por bushel, após as primeiras posições terem perdido entre 14 e 15 cents na sessão anterior, devolvendo os ganhos observados na semana passada.
Analistas de mercado destacam que a safra norte-americana está praticamente consolidada no campo e, a despeito do estresse térmico observado em julho, caminha para atingir elevados índices de produtividade, confirmando a maior capacidade de resiliência e recuperação biológica da oleaginosa frente ao milho.
Crédito rural: 83% das lavouras de soja cumprem as regras do financiamento
Soja abre a semana em queda em Chicago com projeção de safra recorde nos EUA
No relatório semanal de evolução de safras divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a qualidade das lavouras apresentou um leve recuo de apenas um ponto percentual: 60% das áreas estão em condições boas ou excelentes (frente a 69% no mesmo período de 2025), 28% em estado regular e 12% em situação ruim ou péssima. No desenvolvimento fenológico, 91% das lavouras estão em fase de formação de vagens (ante 88% no ano passado) e 6% já atingiram a maturação.
Esse quadro reforça as projeções do Crop Tour, que estima uma safra recorde de 124,4 milhões de toneladas nos EUA, superando com folga as 116,0 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.
Produtor brasileiro segura estoques e aposta na entressafra
Em contraste com a pressão vendedora em Chicago, o mercado físico brasileiro opera travado e com oferta bastante restrita. Segundo a avaliação da Granoeste, volumes expressivos de soja permanecem estocados nos armazéns à espera de melhores oportunidades de remuneração.
A postura cautelosa dos agricultores apoia-se em fundamentos estratégicos consolidados: o cenário eleitoral no Brasil, a colheita norte-americana ainda pendente de confirmação prática, o risco de atraso no regime de chuvas para o plantio da safra nova nas regiões centrais do país e a aproximação gradual do período de entressafra.
Nos terminais portuários, os prêmios de exportação mantêm patamares firmes. As indicações no mercado spot oscilam entre +165 e +180 cents/bushel; para embarque em novembro, situam-se na faixa de +165 a +175; e, para dezembro, entre +160 e +175 cents/bushel.
No mercado doméstico, as ordens de compra no oeste do Paraná variam entre R$ 143,00 e R$ 146,00 por saca, enquanto no Porto de Paranaguá a referência gira de R$ 154,00 a R$ 156,00 por saca, a depender da praça de embarque e dos prazos de pagamento acordados.
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