A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS) realizou na noite de sexta-feira (18), em Campo Grande, a abertura oficial do plantio da safra de soja 2026/2027. O encontro congregou agricultores, lideranças sindicais, membros do poder público e consultores de mercado para alinhar projeções agronômicas, gestão financeira e o posicionamento do agronegócio sul-mato-grossense frente às transformações globais.
As estimativas oficiais consolidadas pela entidade apontam expansão em relação ao ciclo 2025/2026. A área destinada à oleaginosa deve atingir 4,874 milhões de hectares, avanço de 5,5%, com expectativa de produtividade média de 52,4 sacas por hectare. Caso os índices médios de rendimento se confirmem ao longo do desenvolvimento vegetativo, a produção estadual alcançará 15,331 milhões de toneladas.
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O presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, pontuou que o ciclo exigirá disciplina gerencial extrema diante da sobreposição de variáveis adversas:
"O produtor rural de Mato Grosso do Sul conhece muito bem o significado da palavra resiliência. A cada safra, enfrentamos desafios diferentes: clima, mercado, custos de produção, questões logísticas e, cada vez mais, dificuldades relacionadas ao acesso ao crédito. O produtor continua trabalhando, planejando e investindo, mesmo diante de um cenário que exige cada vez mais capacidade de gestão. Quando o produtor produz, toda a cadeia se movimenta com empregos, comércio, indústria, transporte e arrecadação."
Essa preocupação com a administração da porteira para dentro foi reiterada pelo diretor-secretário da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Fábio Caminha, que apontou os gargalos em gestão, comercialização e planejamento estratégico. O dirigente destacou a atuação do programa ATeG Grãos, que leva assistência técnica e gerencial contínua a quase mil propriedades rurais, abrangendo cerca de 600 mil hectares no estado.
Representando o governo estadual, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Artur Falcette, ressaltou o papel da sojicultura como motor de desenvolvimento dos municípios do interior e indutor da arrecadação e investimentos públicos previstos para 2027.
A grade técnica do encontro incluiu o painel "Safra 2026/2027: dados, cenários e perspectivas", conduzido pelo coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, seguido pelo debate "O Agro em Perspectiva", mediado pelo vice-presidente da entidade, Andre Dobashi. Na esfera macroeconômica, o diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, detalhou a competitividade da produção brasileira no comércio exterior, enquanto o cientista político e professor HOC encerrou a programação analisando as tensões geopolíticas, guerras comerciais e seus reflexos diretos nas cadeias produtivas de grãos de Mato Grosso do Sul.
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