O diretor-executivo da Organização Internacional do Açúcar (OIA), José Orive, disse, nesta segunda-feira (26), na 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, na capital paulista, que políticas de subsídios em diversos países produtores de açúcar, sobretudo nações mais industrializadas, distorcem custos e preços no comércio agrícola internacional do adoçante. "As subvenções mexem artificialmente na competitividade natural dos mercados, fundamentada em oferta, demanda e o movimento especulativo tradicional que existe."
Para ilustrar seu raciocínio, Orive citou a lei de política agrícola dos Estados Unidos, conhecida como Farm Bill, que destina em cada um de seu ciclo de cinco anos mais de US$ 15 bilhões para os produtores norte-americanos de açúcar. Segundo o diretor-executivo da OIA, no caso da cadeia produtiva do etanol de milho, a cifra sobe US$ 33,6 bilhões.
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"São valores desta magnitude que tornam os produtos dos EUA competitivos, sobretudo o etanol, já que o açúcar fica no mercado doméstico norte-americano. Mas, é uma competitividade por força fiscal, não por eficiência. O excedente do etanol dos EUA interfere de modo estrutural nos mercados internacionais." Orive salientou, então, que no açúcar as barreiras tarifárias gritam, e o comércio acaba sendo regido por cotas.
Nesta agenda, o diretor-executivo da OIA pontuou que uma das estratégias para os países produtores de acúcar que não subsidiam sua produção passa por mais investimentos em itens de maior valor agregado e no estímulo ao consumo interno. No caso do etanol, Orive lembrou que a expansão mundial do biocombustível passa pelos mandatos de adição à gasolina como medida seja ela ambiental ou deflacionária "Hoje, mais de 60 países têm mandatos obrigatórios. Cada choque global do petróleo acelera as oportunidades para os biocombustíveis."
