As condições climáticas das últimas semanas alteraram o planejamento dos cotonicultores em Mato Grosso. O início da colheita do algodão da safra 2025/26 avançou de forma lenta, acendendo um sinal de atenção no setor quanto ao padrão tecnológico da pluma. De acordo com o boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os trabalhos de campo atingiram 0,36% da área prevista.
Embora o índice supere os 0,21% registrados no mesmo período do ciclo anterior, o ritmo atual encontra-se 1,23 ponto percentual abaixo da média dos últimos cinco anos. O atraso operacional reflete diretamente as precipitações frequentes e a entrada de uma massa de ar polar que derrubou as temperaturas no estado, registrando mínimas de 14,7°C em Rondonópolis e 17,9°C em Sorriso.
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Riscos para a qualidade e o baixeiro
A combinação de umidade alta e temperaturas baixas levou os produtores a postergarem a entrada das máquinas para evitar perdas comerciais na classificação da fibra.
"Observamos um ritmo bastante lento na colheita em função das precipitações registradas nas últimas semanas. Além de atrasar a colheita, as chuvas podem comprometer a qualidade da fibra e aumentar a probabilidade de apodrecimento dos capulhos no baixeiro das plantas, principalmente nas áreas mais avançadas", explica Cintia Teixeira, analista de algodão do Imea.
Até o momento, os trabalhos estão concentrados estritamente nas regiões Nordeste e Sudeste do estado. Mapas meteorológicos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) sinalizam uma redução na intensidade das chuvas para as próximas semanas, o que deve permitir a aceleração das colheitadeiras e mitigar o risco de avarias nas lavouras mais tardias.
Produtividade revisada e recorde à vista
Apesar do contratempo logístico inicial, o potencial produtivo da safra mato-grossense foi revisado para cima. O Imea elevou a estimativa de produtividade média para 304,02 arrobas por hectare, um incremento de 2,13% frente às projeções anteriores.
Com o ajuste no rendimento, a projeção para a produção total de algodão em caroço subiu para 6,27 milhões de toneladas. O volume consolida um novo recorde histórico para a cultura em Mato Grosso.
No front comercial, os cotonicultores locais demonstram boa proteção de margens para o ciclo atual, com 71,86% da safra de algodão já comercializada. Por outro lado, a comercialização antecipada da safra futura (2026/27) avança de forma mais cautelosa, somando 23,21% do volume projetado até este momento.
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