AGA tranquiliza setor sobre bronquite infecciosa aviária em Goiás

Liderança da avicultura goiana destaca controle endêmico da doença respiratória, reforça eficácia das vacinas e descarta impacto no comércio interno e externo
AGA tranquiliza setor sobre bronquite infecciosa aviária em Goiás
Monitoramento constante e protocolos vacinais asseguram sanidade dos plantéis avícolas e mantêm o ritmo dos abates em Goiás
Foto do autor Wandell Seixas
Publicado em:

O presidente da Associação Goiana de Avicultura (AGA) e professor da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás (UFG), Marcos Café, esclareceu o panorama sanitário estadual para tranquilizar avicultores e consumidores a respeito da bronquite infecciosa aviária. Ao analisar a dinâmica do patógeno, o dirigente classificou a condição como "totalmente endêmica que a gente está monitorando", garantindo que os criatórios goianos permanecem protegidos por meio dos protocolos de imunização de rotina e que os fluxos de consumo interno e exportação seguem plenamente preservados.

Café pontuou que a enfermidade respiratória já faz parte do cotidiano da avicultura nacional, exigindo acompanhamento constante, com atenção redobrada no Paraná, onde o cenário requer maior cautela.

"É mais problema na poedeira do que no frango de corte, mas uma doença respiratória que a gente convive com ela. Ao longo do ano, os avicultores alteram as estratégias de controle, as vacinações, as monitorias. Observa-se a idade, se o tipo de vacina é destinado ao frango de corte, se é postura", explicou a liderança, enfatizando que os medicamentos biológicos necessários estão amplamente acessíveis na rede de revendas agropecuárias.

Dinâmica viral, sintomas e perdas econômicas

Descrita tecnicamente como uma patologia aguda de transmissão viral de alta velocidade, a bronquite infecciosa atinge morbidade próxima a 100% no plantel. A disseminação ocorre por via aerógena (aerossóis e secreções respiratórias), contato direto com aves e fezes infectadas, ingestão de água e ração contaminadas ou por carreadores mecânicos, como trajes e equipamentos em trânsito entre barracões. O período de incubação varia de um a dois dias, atingindo o pico de excreção viral nas vias aéreas entre três e cinco dias, com capacidade de propagação por até 20 semanas.

Nas aves, os sinais clássicos envolvem tosse, espirros, estertores traqueais e dispneia, decorrentes da perda do epitélio ciliar, quadro que frequentemente abre portas para infecções secundárias por Escherichia coli, Mycoplasma gallisepticum ou Avibacterium paragallinarum. Em casos graves, o vírus atinge o trato digestivo (proventrículo, intestinos e bursa) e o sistema renal, provocando nefrite e mortalidade.

O maior prejuízo econômico incide sobre a atividade de postura. O patógeno ataca o sistema reprodutivo das galinhas, gerando inflamações e o chamado oviduto cístico crônico. Lotes infectados em idade jovem apresentam o pior prognóstico, culminando na interrupção definitiva da postura ou na produção de ovos com cascas finas, deformadas e despigmentadas. Em machos, a doença reduz a fertilidade e a contagem espermática, além de possibilitar a transmissão venérea.

Diagnóstico laboratorial e programas de biosseguridade

Pela ausência de sinais clínicos exclusivos, a correta caracterização exige ensaios moleculares avançados (como RT-PCR, qRT-PCR e RFLP), que superaram os testes sorológicos tradicionais ao indicar com rapidez o genótipo da cepa circulante. A identificação genética é vital para ajustar a vacinação contra variantes de campo que sofrem mutações contínuas para escapar do sistema imune.

O controle assenta-se no uso combinado de vacinas vivas atenuadas administradas nas primeiras semanas (via spray, água de bebida ou via ocular) para frangos de corte e formulações inativadas para reprodutoras e poedeiras, além de novas pesquisas com agonistas de interferons. Paralelamente, os manuais sanitários determinam isolamento rígido das propriedades, desinfecção de veículos e rotatividade semestral dos princípios ativos de desinfetantes para impedir a seleção de agentes resistentes.

Expressão socioeconômica da avicultura em Goiás

A manutenção do status sanitário é crucial para o agronegócio goiano, cuja cadeia produtiva da carne e ovos movimenta R$ 11 bilhões por ano. Goiás posiciona-se como o 5º maior produtor nacional de frangos de corte, concentrando 7,9% do volume abatido no país — posicionado logo atrás de Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

No primeiro trimestre de 2026, os frigoríficos goianos registraram o melhor desempenho de sua série histórica, alcançando o abate recorde de 135,7 milhões de aves, avanço de 7,1% no comparativo anual. No comércio exterior, o estado exportou 181,9 mil toneladas de carne de frango para 95 países entre janeiro e julho de 2026, gerando divisas de US$ 370,5 milhões (alta de 23,3%).

O segmento de postura também sustenta papel expressivo, com produção superior a 252 milhões de dúzias e Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 1,6 bilhão. Concentrada nas regiões Centro e Sul do estado, a atividade tem como polos os municípios de Rio Verde (7º no ranking nacional), Itaberaí (10º polo do país), Mineiros e Buriti Alegre, ancorando sua competitividade na integração direta com as safras locais de milho e soja para suprimento de ração balanceada.

Comentários

Siga o portal RuralNews nas redes sociais

Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.

Esta reportagem foi produzida pela equipe editorial do RuralNews com base em informações de fontes oficiais e dados públicos. As informações são revisadas antes da publicação.
Encontrou erros no texto? Envie-nos um email informando: editoria@ruralnews.agr.br
Logomarca RuralNews
© 2026 Portal Rural News - CNPJ 01.111.959/0001-67 - Todos os direitos reservados.

#agrootempotodo

O Portal Rural News é uma fonte jornalística especializada no agronegócio nacional. Traz notícias em tempo real sobre o Plano Safra, cotações diárias de soja e milho, mercado físico do boi, tecnologia e informações importantes para o dia a dia do produtor rural brasileiro. Diariamente produzimos e publicamos reportagens, vídeos, artigos de opinião e muito mais! Através de nossas editorias regionais nos estados de Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, e Nordeste .
Alguns conteúdos exclusivos para usuários cadastrados podem ser acessados gratuitamente pela área de login, que pode ser feita também pelo email do Google (Gmail).

Contato:

REDAÇÃO:
(45) 3037-7829 - (45) 98803-5294 - editoria@ruralnews.agr.br
DEPARTAMENTO COMERCIAL:

99972-6113 - comercial@ruralnews.agr.br

SUCURSAL EM GOIÁS:

(62) 99973-3139 - goias@ruralnews.agr.br

SUCURSAL NO RIO GRANDE DO SUL:

(54) 98132-5338 - riograndedosul@ruralnews.agr.br

Assine nossa newsletter

Receba resumos de notícias diários

Siga-nos nas mídias sociais:




Quem somos
Nossa equipe
Contato
Política de Privacidade

CLIMA
Atualizando clima das potências do agro...