O mercado de feijão carioca iniciou o mês de agosto mantendo a trajetória de queda nas principais praças produtoras do País. A movimentação altista da oferta é impulsionada pela intensificação dos trabalhos de colheita nas áreas irrigadas da terceira safra, que ampliou a disponibilidade do grão novo no mercado atacadista.
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o impacto das baixas atinge com mais força os lotes comerciais de maior apelo visual e excelente qualidade, embora as mercadorias de padrão intermediário também venham registrando recuos sucessivos nas tabelas de preços.
Produtores estocam grãos e sustentam preços do feijão carioca
Vendedores limitam queda do feijão carioca e oferta curta sustenta o preto
A continuidade da retração das cotações gera um ambiente de cautela entre as empacotadoras e redes varejistas, que operam comprando apenas o estritamente necessário para abastecer as gôndolas, aguardando novas quedas.
Mudança de estratégia no campo
Do lado da porteira, a queda nas margens financeiras começou a alterar o ritmo das negociações. Nas semanas anteriores, a estratégia dominante entre os irrigantes era acelerar a desova da produção para gerar caixa imediato. Agora, diante de preços considerados insatisfatórios, cresce o número de agricultores que analisam reter a produção e utilizar estruturas de armazenamento para negociar o grão em momentos de melhor liquidez.
Entretanto, o Cepea ressalta que essa mudança de postura encontra limites no aperto financeiro de parcela dos produtores. Como muitos agricultores ainda enfrentam compromissos de curto prazo para honrar, a necessidade de caixa continua forçando a venda de lotes mesmo sob cotações depreciadas, fator que impede a reação dos preços no curto prazo.
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