As vendas externas do agronegócio do Rio Grande do Sul registraram um avanço expressivo de 10,0% em receita em setembro de 2026 na comparação com igual período do ano anterior, subindo de US$ 1,69 bilhão para US$ 1,86 bilhão. Em volume físico embarcado, o salto foi ainda mais forte, atingindo 19,2% de acréscimo, ao passar de 2,41 milhões para 2,87 milhões de toneladas.
Os indicadores constam no Relatório de Comércio Exterior divulgado pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). No balanço acumulado de janeiro a setembro de 2026, os embarques do agro estadual alcançaram US$ 11,75 bilhões, uma elevação de 10% frente aos US$ 10,69 bilhões computados nos primeiros nove meses de 2025. Em termos de tonelagem acumulada, o montante movimentado avançou 9,8%, somando 17,93 milhões de toneladas.
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O desempenho positivo do mês resultou da força do complexo soja, celulose, carne de frango in natura e arroz. Em sentido contrário, registraram retração os grupos de fumo e derivados, carne suína in natura, carne bovina (industrializada e in natura) e bovinos vivos, amortecendo uma expansão mais robusta da balança gaúcha.
Desempenho setorial e quedas específicas
No segmento de proteínas de origem animal, a carne de frango destacou-se com incrementos de 16% em receita e 4% em volume. Por outro lado, a carne bovina amargou quedas de 23% em faturamento e 33% em volume, enquanto a carne suína recuou 20% em valor e 5% em toneladas.
O baque mais expressivo ocorreu no nicho de bovinos vivos, cujos embarques despencaram 60,2% em receita e 72,6% em volume físico. A queda reflete o esvaziamento das compras da Turquia, que reduziram drasticamente os aportes de cerca de US$ 7,6 milhões para modestos US$ 267 mil, arrefecimento que não pôde ser compensado pela expansão das compras marroquinas (US$ 4,2 milhões). Já o segmento de fumo e seus subprodutos cedeu 40,6% em divisas e 36,6% em tonelagem.
Ásia e China lideram as compras
Na segmentação por blocos e regiões econômicas, a Ásia (excluindo o Oriente Médio) consolidou-se como o principal destino dos produtos gaúchos, respondendo por US$ 1,11 bilhão (+13%) e 2,02 milhões de toneladas (+6%). As exportações para a União Europeia avançaram 15% em valor (US$ 299,6 milhões) e expressivos 175% em volume (443,7 mil toneladas). Em ritmo de alta na receita, despontaram a América do Norte (+54%), a América do Sul (+32%) e o Oriente Médio (+21%).
Individualmente, a China manteve a liderança hegemônica, absorvendo US$ 828,1 milhões — o equivalente a 44,6% de toda a pauta do agro gaúcho —, número que representa alta de 21,8% contra setembro de 2025. Na sequência de maiores compradores, posicionaram-se:
Espanha: US$ 69,1 milhões;
Países Baixos: US$ 64,2 milhões;
Estados Unidos: US$ 59,2 milhões;
Índia: US$ 58,9 milhões;
Emirados Árabes Unidos: US$ 55,0 milhões.
Os maiores ganhos em valores absolutos concentraram-se na demanda de importadores chineses, espanhóis, neerlandeses, norte-americanos e indianos por soja em grão, farelo, celulose e óleo de soja. Na ponta oposta, praças como Bélgica, Suíça, Filipinas, Polônia e Indonésia reduziram compras diante do menor ritmo do fumo e das carnes vermelhas.
