Calor exige atenção redobrada no manejo de viveiros de piscicultura
Altas temperaturas elevam riscos de estresse e mortalidade dos peixes, exigindo monitoramento constante de oxigênio, alimentação e qualidade da água
Por: Redação RuralNews
De acordo com o médico-veterinário Gelson Hein, do IDR-Paraná, a faixa ideal de temperatura para o desenvolvimento dos peixes varia entre 24 °C e 30 °C. “Nesse intervalo, o peixe se alimenta melhor e apresenta maior eficiência na conversão da ração em carne. É o que chamamos de período de safra. Fora dessa faixa, o ambiente pode ficar quente ou frio demais, prejudicando o desempenho produtivo”, explica.
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Durante o verão, no entanto, as temperaturas na região de Toledo superam facilmente os 30 °C ao longo do dia. Esse cenário, aliado à alta densidade de peixes nos viveiros, exige um manejo ainda mais criterioso. “Antigamente, os tanques comportavam dois ou três peixes por metro quadrado. Hoje, em alguns casos, esse número chega a 15 animais no mesmo espaço”, observa Hein. Com isso, a demanda por oxigênio cresce continuamente à medida que os peixes ganham peso.
Um dos principais riscos ocorre no período noturno. Segundo o veterinário, as algas presentes nos viveiros deixam de produzir oxigênio à noite e passam apenas a consumi-lo, o que pode provocar quedas bruscas nos níveis de oxigênio dissolvido. Mesmo que temporária, essa condição pode comprometer a sobrevivência dos peixes.
Por isso, a recomendação é manter os aeradores ligados 24 horas por dia quando a biomassa ultrapassa 5 toneladas por hectare. Ainda assim, o monitoramento constante permite ajustar a aeração de forma eficiente e evitar gastos desnecessários com energia. “O ideal é manter entre 4 e 5 miligramas de oxigênio por litro de água”, orienta Hein.
A oferta de ração também precisa ser ajustada nessa época do ano. Com temperaturas mais elevadas e maior atividade metabólica dos peixes, o risco de sobras aumenta caso a alimentação não seja bem manejada. “O peixe se alimenta em função da temperatura e do oxigênio disponível. Se o nível de oxigênio estiver baixo pela manhã, o produtor deve atrasar a alimentação ou dividir a oferta ao longo do dia. Em situações de calor excessivo, acima de 30 °C, pode ser necessário até suspender uma das alimentações”, destaca.
Além da temperatura e da oxigenação, outros parâmetros influenciam diretamente a qualidade do ambiente nos tanques, como pH, alcalinidade, amônia, nitrito, dureza e transparência da água. O ciclo de engorda dos peixes, até atingirem entre 900 gramas e 1 quilo, dura em média 210 dias. No entanto, segundo Hein, um manejo mais eficiente pode contribuir para a redução desse período.
Uma das soluções adotadas nos sistemas mais modernos é o aumento da profundidade dos viveiros. Se antes os tanques tinham cerca de 1,5 metro, hoje novas estruturas chegam a até 4 metros. Essa mudança ajuda a estabilizar os parâmetros da água, melhora o conforto térmico dos peixes e contribui para ganhos de produtividade.
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Texto publicado originalmente em Destaques
Durante o verão, no entanto, as temperaturas na região de Toledo superam facilmente os 30 °C ao longo do dia. Esse cenário, aliado à alta densidade de peixes nos viveiros, exige um manejo ainda mais criterioso. “Antigamente, os tanques comportavam dois ou três peixes por metro quadrado. Hoje, em alguns casos, esse número chega a 15 animais no mesmo espaço”, observa Hein. Com isso, a demanda por oxigênio cresce continuamente à medida que os peixes ganham peso.
Altas temperaturas no verão exigem monitoramento constante. Foto: IDR-Paraná / Divulgação
Oxigenação e alimentação exigem ajustes
Um dos principais riscos ocorre no período noturno. Segundo o veterinário, as algas presentes nos viveiros deixam de produzir oxigênio à noite e passam apenas a consumi-lo, o que pode provocar quedas bruscas nos níveis de oxigênio dissolvido. Mesmo que temporária, essa condição pode comprometer a sobrevivência dos peixes.
Por isso, a recomendação é manter os aeradores ligados 24 horas por dia quando a biomassa ultrapassa 5 toneladas por hectare. Ainda assim, o monitoramento constante permite ajustar a aeração de forma eficiente e evitar gastos desnecessários com energia. “O ideal é manter entre 4 e 5 miligramas de oxigênio por litro de água”, orienta Hein.
A oferta de ração também precisa ser ajustada nessa época do ano. Com temperaturas mais elevadas e maior atividade metabólica dos peixes, o risco de sobras aumenta caso a alimentação não seja bem manejada. “O peixe se alimenta em função da temperatura e do oxigênio disponível. Se o nível de oxigênio estiver baixo pela manhã, o produtor deve atrasar a alimentação ou dividir a oferta ao longo do dia. Em situações de calor excessivo, acima de 30 °C, pode ser necessário até suspender uma das alimentações”, destaca.
Viveiros mais profundos ajudam a reduzir estresse
Além da temperatura e da oxigenação, outros parâmetros influenciam diretamente a qualidade do ambiente nos tanques, como pH, alcalinidade, amônia, nitrito, dureza e transparência da água. O ciclo de engorda dos peixes, até atingirem entre 900 gramas e 1 quilo, dura em média 210 dias. No entanto, segundo Hein, um manejo mais eficiente pode contribuir para a redução desse período.
Uma das soluções adotadas nos sistemas mais modernos é o aumento da profundidade dos viveiros. Se antes os tanques tinham cerca de 1,5 metro, hoje novas estruturas chegam a até 4 metros. Essa mudança ajuda a estabilizar os parâmetros da água, melhora o conforto térmico dos peixes e contribui para ganhos de produtividade.
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Texto publicado originalmente em Destaques
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