Tecnologia com bactérias impulsiona produtividade da soja no Paraná
O uso de bioinsumos na soja garantiu aumento médio de 8,33% na produtividade em áreas acompanhadas no Paraná
Estudo aponta que a coinoculação com bactérias benéficas elevou em 8,33% a produtividade da soja no Paraná na safra 2024/2025. Foto: Antonio Neto / Divulgação
Desde a safra 2015/2016, a Embrapa Soja e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná acompanham a adoção de boas práticas de fixação biológica de nitrogênio (FBN) em lavouras comerciais do Paraná. Ao longo de dez anos, os dados mostram que a coinoculação — aplicação conjunta de microrganismos benéficos nas sementes — proporcionou aumento médio de 8,33% na produtividade da soja.
As informações constam na publicação Coinoculação da soja com Bradyrhizobium e Azospirillum na safra 2024/2025 no Paraná, que reúne resultados obtidos em Unidades de Referência Tecnológica (URTs) instaladas em propriedades rurais do Estado. Nessas áreas, conduzidas diretamente em lavouras comerciais, foi possível validar a eficiência da tecnologia em diferentes condições de solo, clima e sistemas de cultivo.
Na safra 2024/2025, foram avaliadas 22 URTs distribuídas em 17 municípios paranaenses. A produtividade média nas áreas coinoculadas foi de 3.916 quilos por hectare (kg/ha), enquanto nas áreas sem inoculação o rendimento ficou em 3.615 kg/ha. O resultado também superou a média estadual (3.663 kg/ha) e a média nacional (3.561 kg/ha), conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento.
A tecnologia consiste na inoculação com bactérias do gênero Bradyrhizobium, responsáveis pela fixação biológica do nitrogênio, associadas ao Azospirillum brasilense, que atua como promotora de crescimento vegetal. A interação favorece a formação de nódulos radiculares mais abundantes e precoces, aumentando a eficiência do processo e contribuindo para maiores tetos produtivos sem a necessidade de fertilizantes nitrogenados.
Segundo levantamento do IDR-Paraná e da Embrapa Soja, 64% dos produtores consultados utilizaram inoculante na safra 2024/2025, enquanto a coinoculação esteve presente em 28% das áreas, de acordo com dados da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos, com pesquisa realizada pela Kynetec.
Em âmbito nacional, cerca de 85% dos 47 milhões de hectares cultivados com soja adotam a inoculação anual, e aproximadamente 35% utilizam a coinoculação. A prática, além de elevar a produtividade, gera economia significativa ao dispensar fertilizantes nitrogenados e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
A fixação biológica do nitrogênio é considerada um dos pilares da sustentabilidade da sojicultura brasileira, já que a cultura demanda cerca de 80 quilos de nitrogênio para cada tonelada de grãos produzida. Ao substituir adubos minerais por processos biológicos, os produtores reduzem custos, ampliam a rentabilidade e fortalecem a competitividade do setor.
