Famato flagra 25 km de fila de caminhões e cobra ampliação portuária em Miritituba
Comitiva percorre trecho da BR-163 até o porto e encontra gargalos no escoamento da safra pelo Arco Norte
Fotos: Lucas Nunes/Sistema Famato
A cena encontrada pela comitiva do Estradeiro BR-163 – Do Campo ao Porto acendeu o alerta no Norte do país. Liderado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, o grupo percorreu nesta segunda-feira (23) o trecho entre o KM 30 e os terminais portuários de Miritituba (PA) e se deparou com mais de 25 quilômetros de caminhões carregados com soja aguardando para descarregar.
A comitiva, formada por presidentes de 20 sindicatos rurais, acompanhou de perto as condições logísticas do escoamento da safra mato-grossense pelo Arco Norte. O trajeto de pouco mais de 30 quilômetros revelou um cenário de congestionamento, demora na triagem e reclamações de falta de estrutura básica.Motoristas relataram longas horas e até dias de espera, além de falta de apoio básico nas filas. Segundo eles, faltam banheiros, pontos de apoio e organização no fluxo de entrada nos terminais.
Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o gargalo não pode ser tratado como algo normal durante o pico da safra. “Esse é um Brasil que transforma, que gera riqueza. Mas é preciso respeito com quem está trabalhando. O que estamos vendo aqui é falta de respeito com essas pessoas”, afirmou.
Vilmondes defende união entre governos estaduais, União e setor produtivo para acelerar soluções estruturantes. Ele citou a necessidade de envolvimento direto do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Ministério dos Transportes para avaliar a situação no local. “Não é possível enfrentar uma fila gigante como essa para fazer triagem e descarregar. Isso não tem lógica. Precisamos unir forças para trazer soluções concretas”, reforçou.
Mais de 25 quilômetros de caminhões carregados com soja aguardam para descarregar em Miritituba (PA)
Na fila, o caminhoneiro Luigi Brischiliari descreveu a rotina de quem aguarda para descarregar. “A gente fica jogado. Não tem banheiro, não tem estrutura. São muitos pais de família passando dificuldade. Isso mexe com o psicológico”, relatou
.Outro motorista, Rodrigo Caicara, apontou falhas na triagem e na capacidade de recebimento das empresas instaladas no porto. “O que falta aqui é organização. Tem empresa que não está conseguindo receber os caminhões, e isso vai acumulando. Estou parado há dias”, afirmou.
Motoristas relatam horas e até dias de filas entre o KM 30 e os terminais portuários de Miritituba (PA)
A agenda do Estradeiro segue ao longo da semana, com visitas às etapas de transbordo e portos do Arco Norte. O objetivo é reunir dados técnicos para embasar propostas voltadas à infraestrutura, competitividade e melhores condições de trabalho no transporte de cargas.
