União Europeia destrava acordo comercial com o Mercosul
Após mais de duas décadas de negociações, o Conselho da União Europeia deu aval político ao acordo, que ainda precisa passar por etapas formais antes de entrar em vigor
A União Europeia aprovou o acordo de livre comércio com o Mercosul, abrindo caminho para a criação de uma das maiores zonas comerciais do mundo. Foto: Canva
Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia avançou na formalização de um acordo de livre comércio com o Mercosul. Em reunião realizada em Bruxelas, representantes dos 27 Estados-membros do bloco europeu aprovaram, por maioria qualificada, a conclusão do tratado, abrindo caminho para a criação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
A decisão reuniu o apoio mínimo exigido de países que representam ao menos 65% da população da União Europeia. Com isso, a Comissão Europeia ficou autorizada a avançar para a assinatura do acordo com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Maior zona de livre comércio do mundo
Segundo a Comissão Europeia, a nova área de livre comércio deve abranger mais de 700 milhões de consumidores, conectando economias sul-americanas a um dos maiores mercados globais. A expectativa é de que o tratado fortaleça as relações comerciais, reduza tarifas e amplie o fluxo de bens entre os dois blocos.
O avanço foi possível após ajustes voltados principalmente ao setor agrícola europeu. Países contrários ao acordo apontam que produtores do Mercosul operam com custos menores, o que pode aumentar a concorrência no mercado europeu. Para reduzir resistências, o texto final inclui salvaguardas e mecanismos de proteção para produtos considerados sensíveis.
A mudança de posicionamento de alguns países foi decisiva para destravar o processo. Em dezembro, a falta de consenso havia adiado a assinatura do acordo. Com novas garantias apresentadas pela Comissão Europeia, o bloco conseguiu reunir os votos necessários para a aprovação.
Tramitação ainda enfrenta resistências
Apesar do aval político, o tratado ainda precisa cumprir etapas institucionais antes de entrar em vigor. O texto deverá ser assinado formalmente e, na sequência, submetido à apreciação do Parlamento Europeu. A análise legislativa deve ocorrer nos próximos meses e não garante aprovação automática, já que há resistência de parte dos eurodeputados.
Na Europa, o processo avança em meio a protestos de agricultores, especialmente em países como França, Bélgica e Grécia. Produtores demonstram preocupação com impactos sobre preços, competitividade e padrões ambientais. Ainda assim, defensores do acordo afirmam que o pacto é estratégico para a União Europeia diante do cenário internacional e da necessidade de diversificação de parceiros comerciais.
Entre os principais benefícios esperados para o bloco europeu estão a ampliação das exportações de automóveis, máquinas, vinhos e queijos. Já para o Mercosul, o acordo tende a facilitar o acesso de produtos agropecuários, como carne bovina, aves, açúcar, arroz, mel e soja, ao mercado europeu, dentro de cotas e regras específicas.
As negociações entre União Europeia e Mercosul tiveram início em 1999 e enfrentaram longos períodos de impasse, sobretudo em temas ligados à agricultura e ao meio ambiente. Com a aprovação política em Bruxelas, o acordo entra agora em sua fase decisiva, marcando um passo histórico na integração comercial entre os dois blocos.
