O que é e como se forma o ZCAS?
A Zona de Convergência do Atlântico Sul é um dos principais sistemas meteorológicos do verão no Brasil e também pode ocorrer no fim da primavera
Zona de Convergência do Atlântico Sul é caracterizada por uma larga e prolongada zona de convergência de umidade sobre o Brasil. Foto: Climatempo
A Zona de Convergência do Atlântico Sul, conhecida pela sigla ZCAS (pronuncia-se zacas), é uma extensa faixa de convergência de umidade que se prolonga sobre o Brasil. Quando esse sistema se instala, grandes áreas do país ficam sujeitas a chuva frequente e volumosa durante vários dias consecutivos.
Essa atuação costuma afetar as Regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e, por vezes, parte do Nordeste. Mesmo que seja mais rara no Sul, pode alcançar áreas dessa Região em eventos excepcionais. Em muitos locais, um único episódio de ZCAS pode concentrar grande parte da chuva do trimestre mais chuvoso do ano.
Como a ZCAS se manifesta?
Assim que esse corredor de umidade se organiza, forma-se uma faixa contínua de nuvens carregadas que corta o Brasil, em geral do Norte para o Sudeste, prolongando-se até o oceano. Imagens de satélite mostram claramente essa banda de nebulosidade intensa durante sua atuação.
Para que o fenômeno seja caracterizado oficialmente, as áreas de instabilidade devem persistir por pelo menos quatro dias sobre uma mesma região.
Nebulosidade de ZCAS sobre o Brasil em 2/1/2024 (Imagem Goes 16). Foto: Climatempo
Sistemas que atuam na formação
A formação da ZCAS ocorre quando uma frente fria semi-estacionária se mantém na costa do Sudeste, ao mesmo tempo em que o Vórtice Ciclônico de Altos Níveis atua sobre o Nordeste. Além disso, a Alta da Bolívia se estabelece em torno de 10 quilômetros de altitude e um cavado atmosférico se posiciona em médios níveis, por volta de 5 quilômetros.
ZCAS em meados de janeiro de 2016 (Imagem Goes 16). Foto: Climatempo
A combinação simultânea desses sistemas favorece o transporte e a concentração de umidade sobre o interior do Brasil, permitindo que a ZCAS se organize e persista por vários dias.
Variações de posição
A localização da ZCAS não é fixa e varia de um ano para outro, o que altera a distribuição das chuvas. Em alguns episódios, o eixo da instabilidade fica mais centralizado sobre Sudeste e Centro-Oeste, aumentando a regularidade das precipitações nessas áreas.
Em outras situações, a ZCAS se desloca mais ao norte, reforçando a chuva em Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, Tocantins e parte do Norte, enquanto reduz os volumes no centro-sul de São Paulo e em Mato Grosso do Sul. Além disso, há anos em que o fenômeno avança mais ao sul, levando chuva intensa para São Paulo, sul de Goiás e Mato Grosso, além do Paraná.
Influência de El Niño e La Niña
O El Niño costuma dificultar sua formação, pois atrapalha a estruturação da Alta da Bolívia, essencial para o fenômeno. Ainda assim, a ZCAS pode ocorrer — como em janeiro de 2024, mesmo com um El Niño forte.
Enquanto isso, a La Niña geralmente favorece o sistema, facilitando o estabelecimento dos corredores de umidade entre Norte e Sudeste. Quando o Pacífico está em neutralidade, essa formação também costuma ser estimulada.
Importância para o clima do Brasil
Por seu potencial de gerar períodos prolongados de chuva, a ZCAS está diretamente ligada a impactos relevantes, como abastecimento de água, planejamento agrícola e riscos meteorológicos, incluindo enchentes e deslizamentos. Portanto, seu monitoramento constante é essencial para reduzir prejuízos e proteger a população.
