De citros a grãos, os prejuízos no campo do Rio Grande do Sul

De norte a sul do Estado, a alta umidade do solo é a principal responsável pelos prejuízos

Pomares de laranjas e bergamotas; safras de soja, milho, feijão e arroz; pastagens e criações de bovinos, ovinos, peixes e abelhas: as perdas sofridas pelos produtores rurais gaúchos em virtude da tragédia meteorológica estão sendo contabilizadas aos poucos. De norte a sul do Estado, a alta umidade do solo é a principal responsável pelos prejuízos, direta e indiretamente, de acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar.

No caso dos citros, as plantações de laranja e bergamota têm apresentado frutos pequenos, com rachaduras na casca, aumentando as perdas e reduzindo a produtividade. Muitos frutos também foram afetados por doenças. Na região administrativa da Emater de Santa Rosa, há incidência de ataques de mosca-das-frutas nos pomares. As variedades de bergamota Okitsu, Ponkan, Satsuma e comum, que estão em fase final de maturação, em plena colheita e comercialização, sofrem com a praga; as laranjas de umbigo, do céu e sanguínea, também. Já as plantas novas sofrem ataques de pulgão nas brotações e de larva-minadora nas folhas. O preço para indústria está em R$ 6,00/kg.
A umidade e a nebulosidade ainda dificultam a colheita do milho em grande parte das lavouras do Rio Grande do Sul
A umidade e a nebulosidade ainda dificultam a colheita do milho em grande parte das lavouras do Rio Grande do Sul

Já na região de Caxias do Sul, seguem os levantamentos e mapeamento das áreas atingidas e de perdas nos municípios produtores. Diversos acionamentos de Proagro estão sendo verificados. Os agricultores não estão conseguindo acessar suas propriedades para realizar os tratamentos fitossanitários, seja pelo encharcamento do solo, seja pelos deslizamentos de terra, que estão bloqueando as estradas.

Soja - As áreas remanescentes de soja, ainda sujeitas à colheita, localizam-se predominantemente na metade sul do Estado. Porém, o período de condições meteorológicas adversas dificultou a operação e a área colhida avançou 3% em relação à semana anterior, atingindo 94% no Estado, estando ainda 6% das lavouras em maturação.

No extremo sul, não houve a possibilidade de colheita da soja em função da recorrência de chuvas. Já na Região da Campanha, os raros períodos de sol permitiram que somente alguns produtores acessassem as lavouras de melhor drenagem para realizar a atividade. Entre as dificuldades, a alta umidade dos grãos e a presença de grãos avariados, que causam obstrução nas máquinas colhedoras.

Além disso, a estatura das plantas está baixa, também em decorrência do excesso de chuvas durante o período de desenvolvimento vegetativo, o que provoca a fixação de vagens muito próximas ao solo. Apesar da disponibilidade de plataformas flexíveis na maioria das colhedoras, a função está comprometida pela instabilidade do solo, especialmente nas áreas implantadas pelo sistema convencional com gradagem. Essa situação resulta em perdas significativas, danos por debulha natural, germinação nas vagens, apodrecimento dos grãos e durante o processo de colheita.

Milho - A umidade e a nebulosidade ainda dificultam a colheita do milho em grande parte das lavouras do Rio Grande do Sul, já que os grãos não atingem a maturação nem o teor de umidade necessários para a operação. Nas regiões da Serra, Campos de Cima da Serra, Central e Campanha ocorreram danos qualitativos expressivos, que praticamente inviabilizam o uso e a comercialização dos grãos colhidos: muitas ocorrências de fungos, micotoxinas e germinação na espiga. Em razão das adversidades, a colheita de milho avançou apenas 1% em relação à semana anterior e atingiu 93% da área cultivada no Estado. Restam ainda 6% das lavouras em maturação e 1% está em enchimento de grãos.

Feijão 2ª safra - Em razão da redução temporária das chuvas no quadrante Noroeste do Estado, foi possível realizar a colheita das lavouras maduras. No entanto, o produto colhido apresentou baixa qualidade, causada pelos grãos brotados e manchados. Estima-se que 73% dos grãos cultivados foram retirados do solo. Parte das lavouras restantes não apresenta perspectivas viáveis de colheita, devido ao prolongado período chuvoso, que favoreceu o surgimento de doenças e resultou em severas perdas na área foliar.

Arroz - A colheita de arroz prosseguiu durante as pequenas janelas temporais com melhores condições meteorológicas e se aproxima da conclusão. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, da área total cultivada na região, estimada em 359.115 hectares, restam cerca de 9 mil hectares a serem colhidos, incluindo algumas áreas com possíveis perdas totais.

Em São Borja, os produtores se esforçam para realizar a colheita em áreas com risco de novo alagamento em razão da elevação do nível do Rio Uruguai. Em Maçambará, a colheita foi concluída e a produtividade média é de 7.523 kg/ha, apresentando bons rendimentos até meados de abril. Contudo, em função das chuvas constantes e dos ventos fortes, houve queda expressiva de 20% a 30% na produtividade.

Em Quaraí, a colheita foi concluída e as produtividades estão ligeiramente abaixo das expectativas iniciais. Há relatos de perda de qualidade dos grãos em partes das lavouras afetadas, que sofreram acamamento e atrasos na colheita, causados pelas dificuldades de acesso. Os produtores estão animados com a produtividade obtida, pois os preços do arroz se mantêm elevados, mesmo durante o período de colheita.

Pastagens e criações - O excesso de chuvas e as geadas têm prejudicado tanto as pastagens cultivadas quanto as nativas, resultando em limitação na oferta e qualidade do alimento para os rebanhos. Muitos produtores têm buscado medidas, como suplementação alimentar, para reduzir as perdas e garantir o bem-estar dos animais.


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