Cecafé comemora fim das tarifas dos EUA sobre o café
Reversão das tarifas impostas pelos EUA marca vitória histórica do setor e resultado de meses de articulação liderada pelo Cecafé
Cecafé avalia a reversão das tarifas dos EUA como vitória decisiva para o café brasileiro. Foto: Canva
O Cecafé, que representa mais de 120 associados responsáveis por 97% das exportações brasileiras de café, celebrou a reversão das tarifas de 40% impostas pelos Estados Unidos ao produto nacional. A decisão ocorreu após a mudança da Ordem Executiva 14.323 e encerrou um período de forte articulação entre Brasil, EUA e a indústria americana. Para a entidade, o resultado marca uma vitória histórica para toda a cadeia produtiva.
O conselho reconheceu o esforço dos governos dos dois países e destacou o apoio da National Coffee Association e de torrefadoras norte-americanas. De acordo com o Cecafé, esses parceiros tiveram papel fundamental para construir um entendimento técnico e político que abrisse caminho para a retirada das tarifas. Além disso, a entidade afirma que o trabalho só foi possível graças à mobilização de seus associados e do Conselho Deliberativo.
Apesar do avanço, o Cecafé seguirá atuando nas negociações bilaterais. Isso porque o café solúvel ainda não entrou na lista de produtos isentos. Além disso, a entidade avalia que o ambiente diplomático evoluiu e, por isso, considera possível ampliar o alcance das isenções. O objetivo é garantir competitividade a toda a cadeia brasileira do café.
Mobilização desde o início do tarifaço
A crise tarifária começou em 9 de julho de 2025. Na data, Donald Trump enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva com argumentos comerciais e políticos para justificar tarifas que somavam 50% sobre diversos produtos. Depois disso, em 30 de julho, o governo americano oficializou a cobrança, válida a partir de 6 de agosto.
A partir desse momento, o Cecafé estruturou uma atuação intensa no Brasil e nos Estados Unidos. A entidade apoiou diretamente o Comitê Interministerial de Negociação, coordenado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Em diversas reuniões, o setor apresentou impactos econômicos e riscos para a competitividade do café brasileiro.
De acordo com o Cecafé, as tarifas colocavam o Brasil em desvantagem frente a países como Vietnã, Indonésia, Colômbia e Costa Rica. Além disso, os EUA negociavam acordos paralelos com outros produtores. Esse cenário ameaçava a presença do café brasileiro nos blends das maiores marcas americanas e poderia causar perdas difíceis de reverter.
Diplomacia técnica com empresas e autoridades americanas
Em agosto, após reunião na Embaixada dos EUA no Brasil, o Cecafé enviou um ofício ao governo norte-americano detalhando impactos ao mercado e aos consumidores. O documento foi encaminhado ao presidente Trump, ao vice-presidente JD Vence e a vários departamentos americanos, incluindo Comércio, Estado, Tesouro, Agricultura e USTR.
Nesse mesmo mês, a entidade participou de reunião virtual com o Departamento de Estado para defender a exclusão do café das tarifas. O setor reforçou a relação histórica entre os dois países e destacou atributos como sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade. Ainda em agosto, o Cecafé apresentou argumentos técnicos no processo aberto pelo USTR com base na Seção 301.
Em outubro, o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, integrou missão presidencial à Indonésia e à Malásia e reforçou a pauta do café durante encontros com autoridades internacionais. Pouco depois, Lula afirmou publicamente que estava pessoalmente empenhado em resolver o impasse tarifário.
Avanços finais antes do anúncio
Entre outubro e novembro, a diretoria do Cecafé participou de novas reuniões com Geraldo Alckmin, atualizando impactos e avanços diplomáticos. A entidade também participou da missão empresarial organizada pela CNI em Washington, onde dialogou com autoridades americanas para abrir espaço a uma negociação técnica. Segundo o Cecafé, essa etapa foi essencial para encaminhar as tratativas finais.
Diante de todo esse esforço, o governo norte-americano anunciou a retirada das tarifas em 20 de novembro. Para o Cecafé, a decisão representa um marco para o agronegócio café e reforça a importância da cooperação entre setor privado, governo e parceiros internacionais.
Além disso a entidade afirma que continuará atuando para defender os exportadores e os cafeicultores diante de desafios comerciais, regulatórios, climáticos e logísticos, sempre visando manter a liderança do Brasil no mercado global.
