O avanço da estiagem em Mato Grosso acende o alerta máximo para o risco de incêndios florestais e rurais. Com a umidade relativa do ar despencando para níveis abaixo de 20%, termômetros próximos a 40°C e vegetação completamente ressecada, o estado vivencia a janela sazonal mais crítica do ano. Diante desse cenário, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) reforçou as orientações técnicas de manejo preventivo aos associados, destacando que o agricultor é o maior interessado na preservação das propriedades e da cobertura vegetal.
Segundo dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Mato Grosso contabilizou 871 eventos de fogo ativo entre 1º e 21 de agosto, ocupando o segundo lugar no país, atrás apenas do Pará (987). Municípios como Jangada — onde a Prefeitura decretou situação de emergência —, Paranatinga e Nova Santa Helena concentram as principais ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros Militar, com apoio de aeronaves e brigadas montadas pelos próprios produtores.
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O vice-presidente e coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, alerta para leituras equivocadas sobre a origem dos focos. Monitoramentos por mapas de calor comprovam que as queimadas começam, via de regra, em margens de rodovias e faixas de domínio público, avançando posteriormente para dentro das áreas produtivas e de preservação permanente.
Além do perigo iminente de perda de maquinários, sedes e benfeitorias, o dirigente ressalta o dano agronômico irreparável provocado pelas altas temperaturas no solo:
"O maior prejuízo é a mineralização da matéria orgânica pelo excesso de calor. Isso põe por água abaixo um trabalho que leva anos para se construir, e a matéria orgânica é componente essencial para a produtividade de qualquer cultura, especialmente soja e milho."
Prevenção integrada, aceiros e tecnologia
Para conter a velocidade de propagação das chamas, a entidade integra o Comitê Estadual de Gestão do Fogo e atua em estreita cooperação com o Corpo de Bombeiros. A principal diretriz aos produtores é a abertura e manutenção de aceiros nas divisas das propriedades e o uso de aplicativos digitais com alertas satelitais em tempo real, permitindo combate rápido no início da ignição.
As práticas completas de prevenção, planejamento de contingência e manejo seguro estão reunidas na cartilha de Manejo Integrado do Fogo, disponibilizada gratuitamente no portal da Aprosoja MT.
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