O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) percorre os principais polos produtores do interior do estado com uma série de painéis presenciais sobre inteligência de mercado, gestão de custos e perspectivas agronômicas. A iniciativa faz parte do circuito itinerante Imea em Campo, iniciado no fim de agosto e com encerramento programado para o dia 30 de setembro. A ação ocorre em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja MT) e visa estreitar o alinhamento de dados estatísticos com o dia a dia vivido na porteira das fazendas.
Os debates concentram-se nas pressões de custos que estrangulam o caixa dos agricultores, na volatilidade das bolsas internacionais e nos desafios meteorológicos que cercam a largada da semeadura da soja e a modelagem da segunda safra de milho.
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O analista do Imea, Henrique Eggers, pontua a importância do diagnóstico regionalizado: "A ideia é levar as atualizações de mercado e as projeções de safra, mas também ter essa interação com os produtores e entender a realidade de cada município. Hoje temos custos elevados e um cenário climático que exige atenção, e isso acaba influenciando as decisões para o plantio da soja e para o planejamento da segunda safra."
Esse ambiente econômico desafiador provocou uma clara postura de aversão ao risco no campo, resultando em estimativas de crescimento de área muito mais tímidas do que a média histórica do estado. Para o ciclo 2026/27, o Imea projeta uma área plantada de 13,04 milhões de hectares de soja, com rendimento médio esperado de 62,4 sacas por hectare e colheita calculada em 48,8 milhões de toneladas. No caso do milho safrinha, a área estimada é de 7,48 milhões de hectares, com produtividade de 119,64 sacas por hectare, totalizando uma safra de 53,68 milhões de toneladas.
A grande luz amarela apontada pela equipe técnica do instituto recai sobre o ritmo atipicamente lento na aquisição de insumos para a segunda safra de 2027. O volume de defensivos e adubos contratados até setembro está aquém de igual momento do ciclo anterior e abaixo da média histórica dos últimos cinco anos. O gargalo mais crítico está no segmento de fertilizantes, com o agricultor postergando as compras diante das condições comerciais desfavoráveis e da relação de troca adversa para os adubos nitrogenados.
O roteiro do Imea em Campo teve largada em 31 de agosto, em Rondonópolis, e já passou por municípios estratégicos como Alto Taquari, Jaciara, Primavera do Leste, Gaúcha do Norte, Canarana e Querência. Nesta quinta-feira, 24 de setembro, o ciclo de palestras contempla produtores de Água Boa, seguindo para Nova Xavantina na sexta-feira, 25. O circuito retorna a Jaciara na terça-feira, 29, e encerra o calendário em Campo Verde na quarta-feira, 30.
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