Os preços do arroz em casca registraram recuperação no Rio Grande do Sul, proporcionando um alívio pontual na relação de troca frente aos custos operacionais da atividade. De acordo com análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apesar da melhora recente, as margens obtidas pelos orizicultores em julho ainda permanecem inferiores às observadas no mesmo período do ano passado.
A sustentação das cotações no mercado spot decorre principalmente da baixa disponibilidade de matéria-prima no campo somada à necessidade contínua das indústrias de recompor seus estoques operacionais.
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Mesmo com a elevação dos preços pagos na fazenda, os produtores mantêm postura cautelosa e evitam ofertar grandes lotes, aguardando novas valorizações. Na ponta oposta, a indústria enfrenta dificuldades para repassar os custos da matéria-prima aos fardos de arroz beneficiado negociados junto às redes de varejo.
Impasse nas negociações e impacto do clima
Esse descompasso entre a pedida dos rizicultores e o teto máximo ofertado pelos compradores resultou em um mercado travado, com negócios fechados apenas de forma pontual para atender demandas imediatas.
Além do distanciamento comercial entre as pontas, os pesquisadores do Cepea ressaltam que fatores climáticos entraram como entrave logístico e agronômico:
Logística comprometida: episódios recentes de chuva excessiva em polos produtores gaúchos dificultaram o trânsito e o escoamento do cereal em estradas vicinais;
Preparo de solo atrasado: a umidade excessiva nas lavouras começa a gerar preocupações operacionais para o manejo e preparo das áreas destinadas à safra 2026/27.
