Defesa agropecuária 21-01-2026 | 15:31:00

Novas regras para o trânsito de animais reforçam o combate à brucelose e à tuberculose no Paraná

Portaria da Adapar restringe a movimentação de bovinos e bubalinos em propriedades com registros das doenças

Por: Redação RuralNews

A medida busca intensificar o combate à brucelose e à tuberculose bovinas, enfermidades que afetam os rebanhos e representam risco à defesa sanitária estadual. O tema é tratado como prioridade permanente pelo Sistema FAEP.
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Restrições ao trânsito de animais

Portaria da Adapar reforça o controle sanitário e restringe o trânsito de bovinos e bubalinos no Paraná. Foto: Sistema FAEP / Divulgação


A portaria proíbe a entrada e a saída de animais de propriedades que estejam em processo de saneamento sanitário para brucelose ou tuberculose. A restrição permanece até a conclusão de todas as etapas exigidas pela Adapar. Além disso, a norma se estende a todas as áreas da mesma propriedade quando houver compartilhamento de pastagens, instalações, equipamentos ou animais.

Nessas situações, a Adapar classifica as áreas como foco sanitário. Assim, o produtor deve cumprir integralmente as exigências previstas no processo de saneamento. Como resultado, a medida reduz o risco de disseminação das doenças entre rebanhos.

“O Paraná já demonstrou capacidade ao conquistar o status de área livre de febre aftosa sem vacinação. Agora, precisamos avançar no controle da brucelose e da tuberculose, que são desafios centrais para elevar ainda mais o padrão sanitário do nosso rebanho”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Exceções e conclusão do saneamento



A norma permite apenas uma exceção. A movimentação de animais destinados exclusivamente ao abate segue autorizada durante o período de saneamento. Em contrapartida, a venda, doação ou transferência de animais vivos fica proibida até a regularização sanitária da propriedade.

O saneamento só é considerado concluído após o cumprimento de todos os trâmites legais. Entre eles, estão a realização de exames e a obtenção de resultados negativos em todos os animais elegíveis, tanto bovinos quanto bubalinos. Nos casos não previstos na portaria, o produtor deve formalizar a situação junto à Adapar para avaliação técnica da Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (DIBT).

Impactos sanitários e econômicos



As novas regras buscam reduzir a propagação silenciosa das doenças, que muitas vezes não apresentam sinais evidentes. Além disso, o controle mais rígido do trânsito de animais ajuda a minimizar falhas de diagnóstico, especialmente nas fases iniciais das infecções. Por isso, a medida é considerada uma das principais ferramentas preventivas para proteger os rebanhos paranaenses.

“Avançar no controle dessas doenças amplia o acesso a mercados mais exigentes. Esse fator ganha ainda mais relevância diante de acordos internacionais, como o firmado entre o Mercosul e a União Europeia”, destaca Meneguette.

As ações são conduzidas pela DIBT, vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa). Em 2025, o Paraná registrou queda de 17% nos focos de brucelose bovina em relação a 2024. Por outro lado, os focos de tuberculose bovina cresceram 4,5%, reflexo da ampliação da vigilância e da capacidade de detecção.

Essas iniciativas também reduzem prejuízos no campo. Somente com o abate sanitário de animais infectados, as perdas anuais no Paraná ultrapassam R$ 8 milhões.

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Trânsito - Animais - Brucelose - Tuberculose - Bovinos - Bubalinos - Sistema FAEP


Texto publicado originalmente em Notícias
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