As operações de semeadura da safra de soja 2026/27 alcançaram 32% da área acompanhada em Mato Grosso do Sul, montante que corresponde a cerca de 1,5 milhão de hectares, conforme boletim semanal do Projeto SIGA-MS. O monitoramento é executado pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), em parceria com o Governo do Estado por meio do Fundems/Semadesc.
Mesmo com as plantadeiras paralisadas durante grande parte da última semana em função da saturação hídrica dos solos, o ritmo estadual ainda sustenta uma ligeira vantagem de 1,1 ponto percentual em relação ao registrado em igual intervalo do ciclo 2025/26.
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A distribuição espacial dos trabalhos revela fortes disparidades regionais:
Região Sul: lidera os trabalhos de campo, com 39,7% da área plantada;
Região Centro: contabiliza 21% de avanço na semeadura;
Região Norte: permanece mais atrasada, somando apenas 18,7% da área prevista coberta até o momento.
Temporais pontuais acompanhados de ventos fortes e queda localizada de granizo de baixa intensidade atingiram municípios como Ivinhema, Angélica, Caarapó e setores da faixa Nordeste. Os episódios geraram apenas avarias leves na parte aérea das plântulas recém-emergidas, descartando a necessidade de replantio nas lavouras inspecionadas pela equipe técnica.
Erosão, fenômeno el niño e alerta fitossanitário
O excesso de precipitações acendeu o sinal de alerta para a conservação do solo sul-mato-grossense. O analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, relata que as enxurradas provocaram o rompimento de curvas de nível e deflagraram focos erosivos, com maior gravidade em áreas de textura arenosa e mista.
"A presença do fenômeno El Niño aumenta a possibilidade de instabilidades climáticas em Mato Grosso do Sul. Dessa forma, deve-se ter cautela no planejamento das operações e tomada de decisão", adverte o especialista.
As previsões meteorológicas indicam que as instabilidades continuarão frequentes até o dia 31 de outubro, com acumulados previstos variando entre 30 mm e 140 mm pelo estado.
Além do desafio físico de drenagem, o boletim do SIGA-MS alerta para a proliferação precoce de pragas e doenças fúngicas. Nas regiões Oeste, Sudoeste e Sul-Fronteira, agrônomos identificaram maior pressão de pragas de estabelecimento inicial — como caramujo, vaquinha (Diabrotica speciosa) e cascudinho-da-soja —, exigindo intervenções químicas emergenciais. Na porção Sudoeste, a combinação de alta umidade com temperaturas elevadas já favoreceu o surgimento de focos da doença foliar mancha olho-de-rã (Cercospora sojina).
