Controle de daninhas ganha urgência nas lavouras de soja
Avanço de plantas daninhas preocupa no cultivo de soja e reforça a importância do manejo integrado nas lavouras brasileiras
O avanço das plantas daninhas nas lavouras de soja tem se intensificado nas últimas safras no Brasil e acende um alerta entre técnicos, pesquisadores e cooperativas. O tema ganhou destaque durante a ExpoLondrina, em debate promovido pela Embrapa Soja em conjunto com as cooperativas Cocamar, Coamo e Integrada, reunindo especialistas para discutir os desafios no controle dessas espécies.
De acordo com o pesquisador Rafael Romero Mendes, houve aumento significativo da infestação de caruru-roxo nas últimas quatro safras. A espécie se destaca pelo crescimento rápido, alta agressividade e grande capacidade de dispersão, o que dificulta o controle e amplia os prejuízos nas lavouras. Como forma de prevenção, ele recomenda a adoção de práticas integradas, como a limpeza de equipamentos, manutenção de palhada no solo, uso de cultivares com novas biotecnologias e aplicação de herbicidas pré-emergentes, sempre considerando as características do solo, clima e variedade cultivada.
A preocupação também está ligada ao comportamento de parte dos produtores. Segundo Rafael Furlanetto, muitos deixam o controle para o último momento, o que reduz a eficiência das estratégias adotadas. A recomendação é antecipar o manejo e diversificar as práticas, incluindo cobertura do solo e uso correto de herbicidas em diferentes fases da cultura, garantindo um controle mais efetivo ao longo de todo o ciclo produtivo.
Outro ponto destacado é o impacto da adoção de tecnologias ao longo dos anos. Para Lucas Pastre Dill, a facilidade trazida por cultivares tolerantes ao glifosato levou à redução de práticas tradicionais, como rotação de culturas e alternância de mecanismos de ação de herbicidas. Esse cenário contribuiu para o avanço de plantas daninhas mais resistentes e de difícil controle, especialmente em ambientes tropicais.
As cooperativas têm reforçado ações de orientação técnica junto aos produtores. De acordo com Bruno Lopes Paes, treinamentos e capacitações têm sido intensificados, com foco no uso correto de herbicidas e na adoção do manejo integrado, incluindo atenção às plantas daninhas quarentenárias, que representam uma ameaça crescente às lavouras.
Para o pesquisador Dionísio Gazziero, o Brasil já dispõe de conhecimento e tecnologia suficientes para lidar com boa parte das infestações, mas a adoção ainda é limitada. Ele destaca que o controle deve ser encarado como um processo contínuo dentro do sistema produtivo, com ações ao longo de todo o ano. A rotação de culturas, especialmente no inverno, e o manejo do banco de sementes no solo são fundamentais para reduzir a pressão das invasoras e evitar o aumento dos custos e das perdas de produtividade nas lavouras.