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Pesquisa avança contra vassoura-de-bruxa da mandioca

Foto do autor Jair Reinaldo
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Pesquisa avança contra vassoura-de-bruxa da mandioca
Pesquisadores e indígenas atuam juntos em roças experimentais para conter praga da mandioca. Foto: Girlane Duarte

Experimentos em aldeias de Oiapoque buscam cultivares resistentes e ampliam uso de tecnologias sanitárias

A atuação conjunta entre ciência e conhecimento tradicional tem sido decisiva no enfrentamento da vassoura-de-bruxa da mandioca nas terras indígenas de Oiapoque, no Amapá. A Embrapa desenvolve experimentos e ações de transferência de tecnologia em parceria com agricultores indígenas, que foram os primeiros a identificar os sintomas da doença no Brasil.

A praga, causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, foi inicialmente registrada em roças indígenas na região de fronteira com a Guiana Francesa e, até o momento, tem ocorrência restrita aos estados do Amapá e do Pará. Classificada como praga quarentenária presente, ela exige atenção redobrada das autoridades e dos produtores.

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Para avançar no controle da doença, equipes técnicas realizam visitas frequentes às aldeias, onde foram implantadas áreas experimentais de cultivo. O trabalho busca identificar cultivares de mandioca com maior resistência ou tolerância ao fungo, considerando não apenas aspectos agronômicos, mas também as práticas tradicionais das comunidades locais.

Os experimentos envolvem a avaliação de mais de 200 genótipos diferentes, incluindo variedades coletadas em diversas regiões do país. Durante as análises, são observados indicadores como incidência, severidade da doença e sintomas característicos, como a formação de rosetas nas plantas.

A participação dos agricultores indígenas tem papel central no processo. Além de colaborar no manejo das áreas experimentais, eles contribuem com conhecimento empírico, indicando variedades que apresentam melhor desempenho nas condições locais. Essas informações passam por validação científica, fortalecendo a integração entre saberes.

Uma das tecnologias empregadas no projeto é a câmara térmica para sanitização de manivas-sementes, instalada no Centro de Formação dos Povos Indígenas de Oiapoque. O equipamento permite eliminar patógenos e produzir mudas sadias, contribuindo para a recuperação das áreas afetadas e redução da disseminação da praga.

A iniciativa faz parte de um Termo de Execução Descentralizada voltado ao atendimento de demandas específicas das comunidades indígenas, com foco tanto no controle fitossanitário quanto na diversificação da produção agrícola. Entre as ações complementares estão capacitações técnicas e dias de campo, que ampliam o acesso a práticas sustentáveis de cultivo.

O esforço conjunto envolve diversas instituições públicas e organizações locais, reforçando a importância da cooperação para enfrentar desafios sanitários no campo. A expectativa é que os resultados obtidos no Amapá possam contribuir para estratégias mais amplas de controle da doença e fortalecimento da produção de mandioca no Brasil.

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