Simpósio debate mercado, ciência e consumo na carne do futuro
Evento realizado em Rondonópolis e Cuiabá reuniu produtores, especialistas e empresários para discutir sobre a carne brasileira
O 12º Simpósio Nutripura encerrou sua programação reforçando um diagnóstico cada vez mais presente na pecuária brasileira: o futuro da carne será definido pela capacidade do setor de unir eficiência produtiva, leitura de mercado, ciência, sustentabilidade e conexão com o consumidor. Com o tema “A Carne do Futuro”, o evento reuniu, ao longo de três dias em Rondonópolis e Cuiabá, produtores, pesquisadores, especialistas e empresários em uma agenda que integrou prática no campo, debates técnicos e visão estratégica sobre os rumos da pecuária de corte.
A programação mostrou que, em um cenário de mudanças no consumo, exigências crescentes dos mercados e maior atenção à reputação da cadeia produtiva, a competitividade da carne brasileira passa cada vez mais por fatores que vão além da produtividade dentro da porteira.
Evento reforça nova visão para a pecuária brasileira
Ao longo dos três dias, o simpósio consolidou a ideia de que a pecuária moderna precisa trabalhar de forma integrada, conectando desempenho produtivo, gestão, mercado e percepção do consumidor.
A mensagem central do encontro foi clara: produzir com eficiência continua sendo essencial, mas isso precisa estar alinhado a fatores como transparência, rastreabilidade, qualidade, bem-estar animal, sustentabilidade e capacidade de comunicação com a sociedade.
Essa abordagem posiciona o evento como um espaço de discussão sobre o futuro da cadeia da carne bovina, ampliando o debate para além do manejo e da nutrição.
Alexandre Mendonça de Barros destaca impacto do cenário global
Um dos momentos de maior destaque da programação foi a palestra do economista Alexandre Mendonça de Barros, que levou ao centro da discussão os efeitos da volatilidade global sobre o agronegócio e, em especial, sobre a pecuária de corte.
Ao abordar temas como custos de produção, câmbio, macroeconomia e formação de preços, o especialista mostrou como fatores externos passaram a influenciar de forma cada vez mais direta as decisões tomadas dentro da fazenda.
Em um ambiente de incertezas, marcado por oscilações geopolíticas e econômicas, a avaliação reforçou que a pecuária precisa, além de produzir bem, compreender o contexto externo para tomar decisões estratégicas e proteger a rentabilidade.
Dia de Campo mostra resultados práticos em Rondonópolis
A abertura do simpósio, no Centro de Pesquisa Nutripura (CPN), em Rondonópolis, trouxe para a prática os conceitos debatidos ao longo do evento.
Durante o Dia de Campo, os participantes acompanharam tecnologias aplicadas à nutrição, manejo e bem-estar animal, além de indicadores concretos de produtividade e eficiência desenvolvidos no centro de pesquisa.
Entre os dados apresentados, chamou atenção o avanço de 175% na produtividade a pasto em relação à média nacional, resultado que reforça o papel da pesquisa aplicada na construção de uma pecuária mais rentável, eficiente e sustentável.
Painel internacional amplia debate sobre mercado chinês
Nos dois dias seguintes, já em Cuiabá, a programação ampliou a discussão para além da fazenda e trouxe um olhar estratégico sobre o mercado global da carne bovina.
O painel internacional “Pecuária brasileira no cenário global: percepção, exigências e oportunidades” reuniu parceiros chineses para discutir como um dos principais mercados compradores da carne brasileira enxerga temas como qualidade, exigências comerciais, padronização e potencial de expansão.
O debate reforçou que, no mercado internacional, a competitividade da carne bovina brasileira está cada vez mais ligada à combinação entre produtividade, rastreabilidade, reputação e capacidade de atender padrões comerciais mais rigorosos.
Pesquisa mostra consumidor atento à sustentabilidade e à origem
Outro ponto alto do simpósio foi a apresentação da pesquisa nacional “O que o brasileiro pensa sobre a carne”, encomendada pelo movimento A Carne do Futuro é Animal e realizada pelo Instituto Qualibest com 1.021 entrevistados em todas as regiões do país.
O levantamento revelou que 78% dos brasileiros consideram importante ou muito importante que a carne seja produzida de forma sustentável. Além disso, 72% afirmaram que pretendem manter o atual nível de consumo nos próximos seis meses.
Outro dado relevante apontou que 80% dos entrevistados avaliam a carne brasileira como boa ou ótima, sinalizando que a confiança no produto segue elevada, mas acompanhada de exigências crescentes em relação à origem, transparência e forma de produção.
Para Luciano Resende, da Nutripura, a percepção do consumidor mostra que a carne do futuro está diretamente relacionada à forma como ela é produzida e à confiança que a cadeia consegue transmitir ao mercado.
Reputação, ciência e sucessão também entram na pauta
Além dos temas ligados diretamente à produção e ao mercado, o simpósio também abriu espaço para reflexões mais amplas sobre o futuro da pecuária.
A programação incluiu debates sobre reputação, marketing, ciência, sucessão familiar, nutrição, manejo e comportamento do consumidor, com participações de nomes como José Luiz Tejon, Miguel Cavalcanti, Richard Rasmussen, Marcelo Bolinha, Alexandre Duarte, Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio.
A diversidade dos temas reforçou o posicionamento do evento como um fórum que extrapola o universo estritamente técnico e conecta a pecuária às transformações econômicas, culturais e sociais que influenciam o setor.
Pecuária do futuro exige integração entre produção e mercado
O encerramento do 12º Simpósio Nutripura deixou uma sinalização importante para a cadeia pecuária: o futuro da carne bovina brasileira dependerá da capacidade de integrar conhecimento técnico, gestão, leitura de mercado e alinhamento com as novas demandas do consumidor.
Em um ambiente de maior cobrança por sustentabilidade, padronização e transparência, a competitividade da carne nacional passa por uma visão mais ampla da atividade, que considere desde o desempenho produtivo até a reputação construída fora da fazenda.
Mais do que um debate sobre produção, o evento consolidou a ideia de que a carne do futuro será resultado de uma cadeia cada vez mais conectada entre campo, indústria, mercado e sociedade.