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Exportação segue mais atrativa que mercado spot paulista para o açúcar

Foto do autor Francieli Galo
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Exportação segue mais atrativa que mercado spot paulista para o açúcar
A valorização do açúcar em Nova York manteve as exportações mais vantajosas que as vendas no mercado spot paulista pela segunda semana seguida.

Avanço mais forte do demerara em Nova York sustenta melhor remuneração nas vendas externas, enquanto cristal volta a superar R$ 100 por saca em São Paulo

Os preços do açúcar cristal branco reagiram no mercado spot do estado de São Paulo, com o Indicador CEPEA/ESALQ (Icumsa 130-180) voltando a superar a marca de R$ 100 por saca de 50 quilos. Ainda assim, o movimento mais intenso de valorização no mercado internacional manteve as exportações mais atrativas do que as vendas no mercado interno paulista.

Segundo levantamento do Cepea, as cotações do açúcar demerara avançaram com mais força no exterior e garantiram, pela segunda semana consecutiva, uma remuneração melhor para o cristal destinado à exportação do que para o produto comercializado no spot paulista. Esse cenário não era observado desde julho do ano passado.

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Mercado externo segue mais vantajoso para as usinas

Apesar da recuperação no mercado doméstico, o ritmo de alta no exterior foi suficiente para manter a vantagem das exportações.

Na prática, isso significa que as usinas continuam encontrando uma condição comercial mais favorável nas vendas externas do que nas negociações no mercado spot paulista, o que pode influenciar o direcionamento da oferta e as estratégias de comercialização no curto prazo.

Esse diferencial é acompanhado de perto pelo setor, já que afeta diretamente as decisões sobre o destino do açúcar produzido, especialmente em um ambiente de volatilidade nos preços globais.

Cristal volta a superar R$ 100 por saca em São Paulo

No mercado spot paulista, o açúcar cristal branco registrou reação nos preços e voltou a operar acima do patamar de R$ 100 por saca de 50 kg.

A recuperação do Indicador CEPEA/ESALQ mostra uma melhora no mercado interno, ainda que o avanço tenha sido mais limitado quando comparado à valorização observada no exterior.

Mesmo com essa retomada, a remuneração obtida nas exportações seguiu superior, reforçando a competitividade do mercado internacional neste momento.

Nova York atinge maiores níveis desde outubro de 2025

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os contratos do açúcar demerara alcançaram os maiores patamares desde outubro de 2025, ampliando o suporte para os preços internacionais da commodity.

Esse movimento foi decisivo para manter a vantagem das exportações pela segunda semana seguida e chama atenção porque rompe um período em que o mercado interno vinha sendo mais competitivo para parte das negociações.

O avanço em Nova York reforça a sensibilidade do mercado global de açúcar a fatores externos, especialmente aqueles que afetam energia, logística e percepção de risco internacional.

Conflito no Oriente Médio pressiona petróleo e influencia açúcar

De acordo com pesquisadores do Cepea, a principal influência sobre os preços em Nova York tem vindo do conflito no Oriente Médio, que elevou as cotações do petróleo aos maiores níveis dos últimos três anos.

Esse movimento é relevante para o açúcar porque o mercado da commodity costuma reagir às oscilações do petróleo, especialmente pela relação com o setor sucroenergético e com a competitividade do etanol em países produtores.

Com o petróleo em alta, cresce a atenção sobre o direcionamento da matéria-prima entre açúcar e biocombustível, além do impacto sobre custos e percepção de oferta global.

Superávit global ainda limita altas mais fortes no longo prazo

Apesar da valorização recente no mercado internacional, o Cepea ressalta que as projeções de superávit na produção mundial de açúcar para a safra 2026/27 tendem a limitar avanços mais expressivos nos preços externos ao longo do tempo.

Embora a margem de excedente venha diminuindo, a expectativa ainda é de uma oferta global acima do consumo, o que reduz espaço para uma escalada mais forte e sustentada das cotações internacionais.

Esse cenário funciona como um freio estrutural para o mercado, mesmo diante de fatores conjunturais que atualmente dão suporte às altas.

Brasil, Índia e Tailândia seguem no radar da oferta mundial

Entre os principais fatores que sustentam a expectativa de superávit global está a perspectiva de produção robusta em grandes players do mercado.

O Brasil, a Índia e a Tailândia seguem sendo apontados como protagonistas na oferta internacional de açúcar, com volumes que, em conjunto, mantêm a perspectiva de abastecimento confortável para a próxima temporada.

Para o mercado, isso significa que, apesar da valorização atual em Nova York, a trajetória futura dos preços ainda deve ser influenciada pelo tamanho da safra desses países e pela capacidade global de absorção dessa produção.

Setor acompanha janela favorável para exportação

No curto prazo, o cenário segue favorável para as exportações brasileiras de açúcar, com a remuneração externa superando a do mercado spot paulista.

Para as usinas, essa janela comercial pode representar oportunidade de melhor rentabilidade nas vendas internacionais, principalmente se o mercado externo continuar sustentado por fatores geopolíticos e pela alta do petróleo.

Ao mesmo tempo, o setor segue atento ao comportamento da safra global e à evolução do mercado interno, já que qualquer mudança no equilíbrio entre oferta e demanda pode alterar rapidamente essa relação entre exportação e spot.

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