O protagonismo e a capacidade de gestão das mulheres no agronegócio brasileiro ganharam destaque nesta quarta-feira (28) durante encontro promovido pela Caras Country no Clube Hípico de Santo Amaro, na capital paulista. A reunião congrega mais de 30 lideranças femininas vindas de diferentes estados com o propósito de estreitar alianças, debater modelos de governança rural e expandir a representação das produtoras nos núcleos de decisão política e estratégica do setor.
O encontro contou com a presença da presidente da Comissão Semeadoras do Agro, vinculada à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Juliana Farah. Ao lado de Julia Correia, diretora comercial da Caras, e de Eliana Torres Azar, presidente do Conselho Deliberativo do Clube Hípico de Santo Amaro, o debate enfatizou a consolidação de oportunidades econômicas e a necessidade de inclusão permanente das produtoras em todos os elos da cadeia produtiva.
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Um dos momentos centrais do evento foi o tributo à produtora rural goiana Sonia Bonato, apontada como referência histórica no empreendedorismo agropecuário feminino. As participantes destacaram a postura de perseverança de Bonato em períodos de fortes barreiras culturais no campo, tornando-se modelo para gerações posteriores que hoje comandam lavouras, rebanhos e empresas agroindustriais.
Memória, sucessão e presença nas decisões
Durante a solenidade, Juliana Farah enfatizou a relevância de valorizar as trajetórias que abriram caminhos institucionais para as mulheres no meio rural.
“Todas nós devemos respeito e reconhecimento a mulheres como Sonia Bonato, que tiveram a coragem de abrir caminhos quando o protagonismo feminino ainda encontrava tantas resistências. Que as futuras gerações continuem a aplaudir essas pioneiras, valorizando suas histórias e dando continuidade ao trabalho de construção de um mundo mais igualitário, com oportunidades, respeito e espaço para todas as mulheres”, pontuou a presidente da comissão da Faesp.
Farah ressaltou ainda que a consolidação da presença feminina não deve limitar-se à gestão operacional das propriedades, mas precisa atingir assentos em diretorias sindicais, conselhos cooperativos e fóruns de formulação de políticas públicas voltadas ao abastecimento e ao comércio exterior.
Conexões em rede e modernização do setor
A programação ressaltou o valor prático das redes integradas de relacionamento, que permitem a troca contínua de experiências técnicas entre produtoras de diferentes bacias agrícolas brasileiras. Para o Sistema Faesp, que desenvolve por meio do Semeadoras do Agro ações integradas de incentivo ao empreendedorismo feminino e à saúde preventiva no campo, a criação desses espaços é indispensável para acelerar o surgimento de novas dirigentes sindicais e executivas agrícolas.
Mais do que celebrar marcas históricas, as participantes concluíram que transformar o reconhecimento social em políticas práticas de apoio ao crédito, capacitação técnica e segurança jurídica é fundamental para erguer um agronegócio mais contemporâneo, competitivo e representativo em todas as regiões do país.
