O Brasil ocupa a posição de terceiro maior produtor mundial de abacate, de acordo com levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Com sua produção historicamente voltada ao atendimento da demanda doméstica e agora com foco direcionado à expansão de embarques para o mercado internacional, o segmento enfrenta desafios fitossanitários que ameaçam a produtividade e a qualidade dos frutos. Entre as principais preocupações dos produtores está o avanço do bicudo-do-abacateiro (Heilipus catagraphus ou espécies do gênero Heilus spp.), praga de hábito broqueador que compromete a sanidade das árvores.
Associado ao grupo dos carunchos e coleobrocas, o inseto ataca tanto a fase vegetativa quanto a frutificação. Ao escavar galerias no interior dos troncos e dos galhos primários, o parasita provoca lesões profundas, descontinuidade do fluxo de seiva e a dessecação gradual da ramagem, enfraquecendo a estrutura física da planta e culminando em quedas severas de rendimento e desvalorização comercial do lote.
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O estabelecimento e a dispersão do bicudo nos pomares encontram suporte na dinâmica climática, com períodos de temperaturas moderadas associados a elevados índices de umidade do ar e chuvas recorrentes. No entanto, o manejo inadequado da lavoura atua como catalisador da proliferação, em especial quando há acúmulo de restos vegetais de poda no chão e descarte negligenciado de frutas atacadas sob a copa das árvores.
Estratégias do Manejo Integrado de Pragas
Para barrar as infestações, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) orienta a adoção estruturada do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Segundo o gerente de assuntos regulatórios da entidade, Fábio Kagi, a assertividade do combate depende de diagnósticos precoces no campo.
“A prevenção começa com o acompanhamento periódico do pomar, utilizando armadilhas para insetos, com o objetivo de identificar a presença e o nível populacional”, detalha o especialista.
Aliado ao monitoramento entomológico, as boas práticas culturais exercem papel protetivo direto. A catação imediata e a eliminação de restos culturais e de frutos caídos no solo impedem que o material sirva de criadouro e abrigo ao bicudo. Da mesma forma, podas de conformação que preservem o arejamento interno e garantam boa penetração de luz solar na copa dificultam o estabelecimento e a reprodução de insetos de hábito broqueador.
Emprego de defensivos e soluções biológicas
Quando o nível de dano econômico exige intervenção direta, a recomendação formal do Sindiveg é a utilização estrita de soluções fitossanitárias autorizadas e com registro vigente junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Todas as pulverizações necessitam de prescrição técnica por meio de receituário agronômico emitido por engenheiro agrônomo ou técnico habilitado, respeitando as dosagens de bula, período de carência e uso de equipamentos de proteção individual.
O manejo integrado na cultura do abacate também comporta a inserção técnica de produtos biológicos registrados, que operam de forma complementar na redução populacional da praga sem desequilibrar a entomofauna benéfica do pomar. A integração de métodos físicos, biológicos e químicos consolida a rentabilidade e a competitividade da cadeia produtiva do abacate nos mercados interno e externo.
