O início da vigência da suspensão imposta pela União Europeia (UE) às importações de proteínas animais brasileiras, deflagrado nesta quinta-feira (3), coloca sob ameaça direta um faturamento superior a US$ 392,2 milhões por ano para o setor produtivo do Paraná. A estimativa tem como base o consolidado de 2025, ano em que os exportadores paranaenses destinaram ao mercado europeu US$ 382 milhões em carne de frango (118,7 mil toneladas) e US$ 10,2 milhões em carne bovina (1,4 mil toneladas).
No acumulado do primeiro semestre de 2026, dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), confirmam que os embarques estaduais somaram US$ 224 milhões em carne de frango (78,7 mil toneladas) e US$ 4,6 milhões em cortes bovinos (643 toneladas). Atualmente, as 27 nações do bloco europeu respondem por cerca de 5% de todas as exportações de carnes do estado.
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O reflexo da decisão ultrapassa os limites da receita imediata com as vendas externas, alcançando a imagem e o padrão de conformidade das mercadorias brasileiras:
"Muitos países tomam como base o atendimento às exigências sanitárias da UE para tomar suas próprias decisões. Se o bloco europeu tem uma exigência e o Brasil atende, outros países também compram de nós sem necessidade adicional de vistorias ou inspeções. Portanto, precisamos manter nossos produtos no mercado europeu, pois é uma importante vitrine para o agro brasileiro e paranaense", apontou Ágide Eduardo Meneguette,presidente do Sistema FAEP.
Anunciada previamente em maio, a medida restritiva abrange carne bovina, aves, suínos, mel, equinos, tripas e produtos da aquicultura. Como o Paraná é o líder inconteste na avicultura nacional, enviando carne de frango para mais de 150 destinos internacionais, o segmento concentra a maior vulnerabilidade operacional frente ao fechamento do porto europeu.
O setor produtivo reforça que o estado e o país dispõem de garantias sanitárias de excelência reconhecidas globalmente. O território paranaense é certificado desde 2021 pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como zona livre de febre aftosa sem vacinação — status estendido a todo o Brasil em 2025 e endossado formalmente pela China neste ano.
Auditorias e perspectiva de retomada no frango
A despeito da cautela em torno do embargo, o setor avícola projeta uma janela de regularização em curto prazo. Uma missão técnica de auditores da União Europeia cumpre cronograma de inspeções no país desde o dia 24 de agosto, avaliando as etapas de biosseguridade, processos industriais, conformidade sanitária e fiscalização do uso de antimicrobianos nas cadeias de frango e mel.
A expectativa das lideranças do agronegócio é de que os relatórios finais comprovem a integridade dos controles oficiais adotados pelo Brasil, permitindo a retirada ágil do veto sobre a proteína avícola e a preservação dos contratos comerciais em andamento.
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