Açúcar 20-01-2026 | 15:29:00

Maior produção de açúcar da Índia ocorre em um cenário global baixista

Oferta elevada no Brasil e avanço da safra indiana em 2025/26 reforçam o viés baixista dos preços globais do açúcar

Por: Redação RuralNews

Agora, o cenário muda em volume, mas não em direção. Em 2025/26, o forte avanço da produção indiana reforça o viés baixista global, segundo análise da Hedgepoint.
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Oferta global segue pressionando os preços

Cenário global de ampla oferta limita reação dos preços do açúcar, mesmo com forte recuperação da produção na Índia. Foto: Canva


A abundância de açúcar no mercado internacional continua sendo o principal fator de pressão. O Brasil mantém uma produção elevada e entra em uma entressafra considerada confortável. Além disso, outros grandes produtores seguem contribuindo para um cenário amplamente ofertado.

Dessa forma, mesmo movimentos pontuais de suporte acabam tendo efeito limitado sobre os preços no curto prazo.

Produção indiana acelera em 2025/26



Na safra 2024/25, a produção da Índia ficou abaixo das expectativas. O país produziu 26,1 milhões de toneladas líquidas, após o desvio de 3,4 milhões de toneladas para o etanol. As exportações somaram 800 mil toneladas, com cerca de 200 mil toneladas ainda pendentes para embarque em 2025/26.

Já na safra atual, o desempenho mudou de forma significativa. Entre outubro de 2025 e 15 de janeiro de 2026, a Índia produziu 16 milhões de toneladas de açúcar, alta de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No mesmo intervalo, a moagem alcançou 176,4 milhões de toneladas de cana, bem acima das 148,4 milhões registradas em 2024/25. Além disso, a eficiência industrial avançou para 9%, frente a 8,8% no ciclo anterior. A estimativa aponta para uma produção líquida de 31,8 milhões de toneladas, com 3,7 milhões destinadas ao etanol.

Segundo a Hedgepoint, a recuperação da safra indiana é forte e consistente, o que reforça o viés baixista do mercado global neste início de ano.

Preços internos limitam exportações da Índia



Apesar da produção elevada, a capacidade exportadora da Índia segue restrita. O governo já autorizou 1,5 milhão de toneladas para exportação. Existe potencial para mais 500 mil toneladas, mas apenas se houver melhora na competitividade internacional.

Atualmente, a paridade de exportação gira em torno de 18,5 centavos de dólar por libra para o açúcar bruto e US$ 445 por tonelada para o açúcar branco. Esses níveis, no entanto, não viabilizam novos negócios diante das cotações internacionais deprimidas.

Com isso, a diferença entre os preços internos e externos fecha a arbitragem e reduz o incentivo às exportações.

Possível alta do MSP reforça restrições



Outro fator de atenção é o Preço Mínimo de Venda na Índia. O MSP permanece em 31 rúpias por quilo desde 2017. No entanto, entidades do setor pressionam por um reajuste.

A proposta mais discutida sugere elevar o MSP para 41 rúpias por quilo, acompanhando o aumento dos custos de produção e a alta do Fair Remunerative Price, que subiu quase 30% nos últimos seis anos.

Caso o ajuste se confirme, o preço interno tende a se fortalecer ainda mais. Como resultado, a exportação se torna ainda menos atrativa nos níveis globais atuais.

Brasil reduz influência da Índia no curto prazo



Tradicionalmente, o avanço da safra indiana teria maior impacto sobre os preços. Contudo, em 2025/26, o Brasil atravessa uma entressafra sem sinais de aperto.

A estimativa atual para o Centro-Sul aponta moagem de 610 milhões de toneladas de cana, acima da previsão anterior. A produtividade segue resiliente e há perspectiva de continuidade do bom desempenho na próxima temporada.

Além disso, fatores macroeconômicos limitam qualquer reação mais forte dos preços. A possível desvalorização da rúpia pode compensar preços internos elevados, enquanto o excesso de oferta global reduz a sensibilidade do mercado a notícias altistas.

Segundo a Hedgepoint, mesmo informações potencialmente positivas acabam tendo efeito moderado, já que o fundamento global segue amplamente ofertado.

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Texto publicado originalmente em Notícias
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