O controle sanitário rigoroso e a precisão na gestão zootécnica transformaram uma iminente quebra de safra em projeção de alta rentabilidade para a piscicultura goiana. Em Trindade (GO), o produtor rural Jean Fratão conseguiu conter uma onda de mortalidade que ameaçava dizimar seus tanques e agora projeta atingir até 40% de lucratividade, com a despesca estimada em 3 toneladas de peixes pintados a partir de setembro.
O cenário era crítico: um quadro bacteriano não identificável a olho nu provocava a morte de dezenas de animais diariamente nos tanques. O avanço da doença foi interrompido após assistência técnica especializada via Sindicato Rural e Senar Goiás, limitando a perda total a cerca de 10% do plantel e salvando o restante da estrutura produtiva.
Cientistas usam impressão digital química para rastrear pescados
SP inicia nova fase do monitoramento pesqueiro no litoral
Diagnóstico clínico e reversão do quadro sanitário
A virada na propriedade começou com exames de laboratório para isolamento do patógeno e aplicação direcionada de medicamentos, evitando o uso empírico de insumos que encarece o custo operacional e estressa o lote.
Segundo a equipe técnica que atende o produtor, o diagnóstico precoce foi decisivo para estancar o prejuízo. Além da intervenção farmacológica correta, o plano de ação focou na reestruturação do manejo diário e no monitoramento rigoroso do ambiente aquático.
Monitoramento da água define a eficiência da engorda
Na piscicultura intensiva, os índices físico-químicos da água determinam diretamente a conversão alimentar e o sistema imunológico dos peixes. A rotina na propriedade passou a incluir testes periódicos de:
Oxigenação dissolvida e transparência da lâmina d’água;
Níveis de amônia e compostos nitrogenados tóxicos;
Variações de pH, essenciais para a absorção eficiente da ração.
No caso do peixe pintado — espécie de couro que possui ferrões e demanda cuidados especiais para evitar lesões mecânicas —, o protocolo passou a incluir checagens visuais detalhadas de coloração, integridade de nadadeiras, olhos e cavidade bucal, prevenindo novas portas de entrada para bactérias oportunistas.
Escala de produção e expansão de ciclos
Com dois viveiros ativos somando um plantel de 1.800 peixes — divididos entre fase juvenil e terminação — e um terceiro tanque em preparação, o foco agora é giro de capital.
O planejamento da propriedade prevê elevar o ritmo de três para cinco ciclos de engorda por ano, adotando o modelo de rotação contínua: despesca, venda imediata, sanitização do tanque e repovoamento sequencial.
Siga o portal RuralNews nas redes sociais
Acompanhe as principais notícias do agro em tempo real.
